Irã aumenta retórica anti-EUA antes de relatório nuclear

O Irã marcou o aniversário da tomada da embaixada norte-americana em 1979 nesta sexta-feira com bandeiras em chamas e gritos de "Morte à América", aumentando sua retórica anti-Estados Unidos antes da divulgação de um relatório das Nações Unidas sobre seu programa nuclear.

RAMIN MOSTAFAVI, REUTERS

04 de novembro de 2011 | 12h13

Milhares de estudantes incendiaram a bandeira dos EUA, um retrato do Tio Sam e fotos do presidente Barack Obama do lado de fora do complexo no centro de Teerã que abrigou no passado a missão norte-americana.

A embaixada foi invadida por estudantes em 4 de novembro de 1979, logo após a Revolução Islâmica do Irã ter derrubado o xá, que era apoiado pelos EUA, e 52 norte-americanos foram mantidos reféns no local por 444 dias. Os dois países são inimigos desde então.

O governo iraniano aumentou a intensidade de sua retórica anti-EUA desde outubro, quando os Estados Unidos acusaram o Irã de conspirar para matar o embaixador da Arábia Saudita em Washington.

A tensão entre o Irã e o Ocidente está particularmente elevada antes da publicação na próxima semana de um relatório da agência nuclear da ONU, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que deve sugerir que o Irã está de olho em armas nucleares.

O Irã alega que seu programa nuclear visa à geração pacífica de eletricidade, mas o fracasso em afastar as suspeitas de que esteja pensando em construir uma bomba fez com que a ONU impusesse quatro rodadas de sanções econômicas ao país.

De sua parte, o Irã acusa os Estados Unidos e Israel de terem matado diversos cientistas nucleares iranianos nos últimos anos.

"A América promoveu atos terroristas contra o Irã e outros países... Vamos apoiar aqueles que são contra as políticas da América dentro e fora da América", disse o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Saeed Jalili, à multidão reunida diante da antiga embaixada.

Ele afirmou que o Irã apresentaria para a ONU evidências de conspirações norte-americanas contra o país, e o Ministério de Relações Exteriores convocaria o embaixador da Suíça na sexta-feira para protestar. A embaixada suíça representa os interesses norte-americanos no Irã.

A principal autoridade iraniana, o líder supremo Aiatolá Ali Khamenei, disse na quarta-feira que possuía 100 "documentos inegáveis" provando que os EUA estavam por trás de "atos terroristas" no Irã.

PRESSÃO

Estados Unidos, Grã-Bretanha e França aumentaram a pressão sobre o Irã esta semana antes da publicação do relatório da próxima semana, que deve detalhar relatos da Inteligência apontando para as dimensões militares do programa nuclear iraniano.

"Uma (questão) em particular que eu quero mencionar é a ameaça contínua representada pelo programa nuclear do Irã", disse o presidente Obama a repórteres após se reunir com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, em Cannes.

"A AIEA deve divulgar o relatório sobre o programa nuclear do Irã na próxima semana e o presidente Sarkozy e eu concordamos com a necessidade de manter uma pressão sem precedentes sobre o Irã para cumprir suas obrigações."

Os Estados Unidos e Israel se recusam a descartar a possibilidade de ataques militares contra usinas nucleares iranianas. O Irã já alertou que dará uma resposta dura a qualquer ataque.

"A tecnologia nuclear é nosso direito absoluto", dizia um cartaz segurado por estudantes no protesto desta sexta-feira.

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