Irã avança lentamente na montagem de centrífugas, diz ElBaradei

Os avanços do Irã em seu programa deenriquecimento de urânio são lentos e o recente acréscimo decentrífugas à cadeia de processamento envolveu apenas modelosantigos, afirmou na quinta-feira Mohamed ElBaradei, chefe daAgência Internacional de Energia Atômica (AIEA). ElBaradei disse que o país islâmico instalou entre 3.300 e3.400 centrífugas do tipo P1, criadas na década de 70, na usinanuclear de Natanz -- até o final do ano passado, esse montanteera de 3.000. O chefe da AIEA (agência ligada à Organização das NaçõesUnidas, ONU) pediu ao Irã que parasse de acelerar seu programaaté que se resolvesse a disputa entre o país e algumaspotências mundiais envolvendo suspeitas sobre as verdadeirasintenções dos iranianos. O país islâmico afirma desejar produzir combustível nuclearcom o intuito exclusivo de fabricar eletricidade e, assim,aumentar o volume de petróleo exportado. O Conselho de Segurança da ONU, porém, baixou três pacotesde sanção contra o governo iraniano acusando-o de esconder suasatividades da AIEA até 2003, de não comprovar que seu programaé totalmente pacífico e de recusar-se a suspender seu programa. "Basicamente, eles estão montando algumas centrífugas dotipo antigo, as centrífugas do tipo P-1 que já existiam. A taxade progresso a esse respeito tem sido bem lenta", disseElBaradei em uma entrevista coletiva realizada em Berlim. "Acho que eles possuíam 3.000 centrífugas antes e hojepossuem 3.300 ou 3.400. De forma que não estão avançando commuita rapidez", disse. "Eu continuou a pedir ao Irã que não acelere o processoporque precisamos antes ter um acordo. O acordo deve antecederos avanços dos iranianos em seu programa de enriquecimento deurânio", afirmou. O país islâmico disse na semana passada que havia instaladooutras quase 500 centrífugas em Natanz em meio a um plano decolocar 6.000 delas em funcionamento. E o governo iraniano afirmou ainda estar testando um tipomais avançado de centrífuga. Segundo analistas, trata-se de umaparelho que poderia refinar o urânio a uma velocidade duas atrês vezes maior do que as temperamentais P-1. O Irã ainda não provou que consegue colocar emfuncionamento, de forma coordenada, milhares de centrífugasgirando em alta velocidade, por longos períodos de tempo, algofundamental para enriquecer quantidades significativas deurânio e obter combustível a ser usado em usinas nucleares. Esse material também pode servir para fabricar bombasatômicas caso o nível de enriquecimento seja maior.

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