Irã bloqueia inspeção de instalações nucleares sob suspeita

Agência nuclear diz que não tem avanço nos trabalhos; EUA ameaçam aplicar novas sanções contra Teerã

Agências internacionais,

15 de setembro de 2008 | 11h37

ã impediu uma investigação das Nações Unidas que busca saber se o país pesquisa secretamente como fabricar uma bomba atômica, enquanto expande seu enriquecimento de urânio em desafio às exigências internacionais, disse um informe de vigilância nuclear nesta segunda-feira, 15. Em resposta, os Estados Unidos advertiram que Teerã poderá enfrentar novas sanções. O Irã culpou a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA na sigla em inglês) pelo impasse.   O informe confidencial da AIEA agregou que o Irã alcançou um total de 3.820 centrífugas em funcionamento, em comparação com as 3.300 de maio, enquanto outras 2 mil parecem estar sendo instaladas. Além disso, o Irã estaria perto de alcançar o refinamento de urânio suficiente para construir uma arma nuclear, diz o documento. Até agora, o país produziu 480 quilos de urânio enriquecido a baixo nível, e precisaria de 1.700 quilos altamente enriquecido para fabricar sua própria bomba, disseram funcionários da ONU sob anonimato, acrescentando que essa quantidade pode ser produzida em cerca de 2 anos.   "Chegamos a um impasse", disse uma importante autoridade que familiarizada com o último relato, que insta o Irã a levar a sério as alegações e dissipar as suspeitas de que seu programa nuclear não é inteiramente pacífico.   A comunidade internacional, começando pelos EUA, suspeitam que o Irã esteja buscando a construção de uma bomba atômica, enquanto Teerã assegura que seu programa nuclear tem fins civis, como a produção de eletricidade. Depois das informações da AIEA, a Casa Branca afirmou que o Irã deve interromper o enriquecimento de urânio e outras atividades de reprocessamento ou enfrentará novas sanções. "O contínuo desafio do regime iraniano é o único a levar a um maior isolamento dos iranianos" disse o porta-voz Gordon Johndroe.   As potências ocidentais podem aproveitar a reunião dos 35 países da AIEA, entre 22 e 26 de setembro, para tentar aprovar uma resolução que exija a colaboração iraniana. Tal pressão, que depende também do tom do relatório, seria acima de tudo simbólica.   Em maio, a AIEA disse que o Irã parecia estar retendo informações necessárias para explicar suspeitas a respeito do enriquecimento de urânio, do teste de explosivos e da adaptação de um míssil para receber ogivas nucleares. Na época, o diretor da agência, Mohamed El Baradei, pediu ao país que parasse de simplesmente negar as suspeitas e começasse a permitir visitas de inspetores às instalações, acesso a documentos e entrevistas com funcionários envolvidos.   Nos últimos três meses, o Irã manteve reuniões com a AIEA em Viena, mas aparentemente sem avanços, segundo diplomatas ligados à agência, que pediram anonimato por não estarem autorizados a falar publicamente sobre o assunto. Diplomatas afirmaram recentemente que, em agosto, o Irã barrou o acesso da AIEA a oficinas possivelmente envolvidas nas alterações dos mísseis. Isso significa que há apenas inspeções limitadas de rotina em locais nucleares declarados, mas sem acesso a instalações que, segundo o Irã, poderiam comprometer sua segurança e envolveriam apenas instalações militares convencionais, fora da jurisdição da AIEA.

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