Irã busca componente chave para arma nuclear, diz 'The Times'

Fontes dos serviços de inteligência ocidentais afirmam que Teerã começou esses testes no início de 2007

Efe,

14 de dezembro de 2009 | 08h36

Documentos de inteligência obtidos pelo jornal britânico "The Times" indicam que o Irã está atualmente trabalhando em um componente chave para a fabricação de uma arma atômica. Segundo o diário, o regime de Teerã está testando um iniciador de nêutrons, componente da bomba nuclear capaz de originar a explosão nuclear.

Fontes dos serviços de inteligência ocidentais afirmam que o Irã começou esses testes no início de 2007, quatro anos depois de que se acreditasse que o Irã tinha dado por terminado seu programa nuclear militar.

Uma fonte dos serviços de inteligência de um país asiático sobre a qual o jornal não dá mais detalhes disse ao "Times" que seu governo acredita também que o Irã esteve trabalhando no iniciador de nêutrons.

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Um dos documentos visto pelo "Times" é um relatório interno de 2007 elaborado pelo Centro para a Preparação do Instituto de Ciências Aplicadas, um dos 12 departamentos que compõem o Departamento para Aplicações de Tecnologia Expandida (Fedat), e nele se detalha um plano de quatro anos para o teste de um iniciador de nêutrons.

Em uma de suas seções, discute a possibilidade de encarregar parte dos trabalhos a departamentos  universitários relacionados ao setor militar, embora, em outros casos, considere o trabalho secreto demais para envolver organismos externos.

Outro documento, muito técnico, descreve o uso de uma fonte de nêutrons cuja única utilidade, segundo os especialistas, é para a fabricação de uma bomba nuclear.

"Embora o Irã tenha dito que esses trabalhos têm um objetivo civil, não há aplicação civil possível", afirma David Albright, presidente do Instituto de Ciência e Segurança Internacional de Washington, que analisou centenas de documentos relacionados ao programa iraniano.

Os documentos que vazaram ao "Times" foram examinados pelos serviços de inteligência de vários países ocidentais, entre eles o Reino Unido. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirma tê-los recebido também.

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