Irã cita hipocrisia e rejeita inspeções nucleares mais invasivas

O Irã descartou na segunda-feira apossibilidade de aceitar uma ação mais intrusiva de inspetoresdo setor nuclear caso não chegue ao fim a máxima de "dois pesose duas medidas" nos esforços mundiais de combate à proliferaçãode armas, algo que, segundo o governo iraniano, beneficiapotências atômicas como Israel. Entrando em choque com países ocidentais em um encontro noqual foram debatidas propostas para melhorar o Tratado deNão-Proliferação Nuclear (NPT), o Irã rejeitou as acusações deque tentaria secretamente desenvolver armas atômicas eresponsabilizou as potências nucleares mundiais pelos problemassurgidos no acordo. Os EUA afirmaram, por exemplo, que o "caminho de fraude,violação das leis e confrontação" adotado pelo Irã aodesenvolver às escondidas um programa de enriquecimento deurânio e ao levar outros países a aprovarem sanções eoferecerem incentivos para que parasse com aquelas atividadesrepresentava a maior ameaça ao NPT. A troca de acusações duras reflete o embate político entreos detentores atuais de armas nucleares e os não-detentores,embate esse responsável por frustrar até agora os esforços paraaprimorar o tratado de quatro décadas, que deve ser revisto em2010 após a realização de encontros preparatórios neste e nopróximo ano. Horas antes, na segunda-feira, o Irã rejeitou um pacote denovos incentivos oferecido por seis potências mundiais com ointuito de convencer os iranianos a paralisar seu programa deenriquecimento de urânio, capaz de gerar tanto combustível parausinas nucleares quanto material para ogivas nucleares. No encontro do NPT em Genebra, as grandes potênciasdisseram que os supostamente secretos esforços da Coréia doNorte, do Irã e da Síria para obter bombas atômicas tornamvitais que seja endurecido o combate à transferência detecnologia atômica considerada sensível. Os países em desenvolvimento afirmam que isso esvaziariaseu direito a sorver os frutos de programas nucleares pacíficose tornaria mais fácil para as potências mundiais negarem-se aabrir mão de seus arsenais atômicos. O Irã perguntou por que os países em desenvolvimentodeveriam aceitar a realização de inspeções invasivas pelaAgência Internacional de Energia Atômica (AIEA) como condiçãopara obter know-how nuclear quando países detentores de armasatômicas tinham o direito de barrar unilateralmente a entradade inspetores em suas instalações. Os países industrializados materializaram um "apartheidnuclear" ao impor controles mais duros para a exportação dessetipo de tecnologia pelos países em desenvolvimento, dentro doNPT, ao mesmo tempo em que, por debaixo dos panos, ajudaramIsrael, que não assinou o acordo, a amealhar um arsenalnuclear, afirmou o embaixador iraniano Ali Asghar Soltanieh. "Essa postura de dois pesos e duas medidas não pode sesustentar e nenhuma medida adicional de fortalecimento dassalvaguardas (da AIEA) poderá ser aceita pelos países que nãodetêm armas nucleares enquanto continuarem em vigor essesgraves constrangimentos e discriminações", disse. Uma outra condição imposta pelo Irã para aceitar arealização de inspeções mais amplas é o fim das sançõesimpostas ao país devido a um programa que, segundo o governoiraniano, visa apenas à geração de eletricidade.

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