Irã começa a abastecer sua primeira usina nuclear

O Irã começou a abastecer sua primeira usina nuclear no sábado, um símbolo forte da sua crescente influência regional e rejeição às sanções internacionais, impostas contra o programa nuclear do país.

KATYA GOLUBKOVA E ROMIN MOSTAFAVI, REUTERS

21 de agosto de 2010 | 12h18

A televisão iraniana mostrou imagens ao vivo, do chefe do programa nuclear do Irã, Ali Akbar Salehi, observando enquanto um conjunto de barras de combustível era preparado para ser inserido no reator, perto da cidade de Bushehr.

"Apesar de todas as pressões, das sanções e dificuldades impostas pelos países ocidentais, estamos testemunhando o lançamento do maior símbolo das atividades nucleares pacíficas, do Irã", disse Salehi durante uma entrevista coletiva.

Autoridades iranianas disseram que são necessários de dois a três meses para que a usina comece a produzir eletricidade e que ela vai gerar 1,000 megawatts, uma pequena parte da demanda de eletricidade, 41.000 megawatts, registrada no mês passado.

A Rússia desenhou, construiu e vai fornecer combustível para Bushehr, levando de volta as barras de combustível usadas, que poderiam servir para fazer plutônio enriquecido, para diminuir a preocupação em relação à proliferação nuclear.

A cerimônia de sábado acontece depois de décadas de atraso, desde a construção da usina, um trabalho que foi iniciado pela empresa alemã Siemens na década de 70, antes da Revolução Islâmica no Irã.

Os EUA criticaram Moscou no início do ano, por seguir adiante com os planos de Bushehr, devido ao constante desafio do Irã em relação ao seu programa nuclear.

Moscou apoiou a mais recente resolução do Conselho de Segurança da ONU, em junho, que impôs uma quarta rodada de sanções ao Irã, para impedir o enriquecimento de urânio, que, alguns países temem que poderá levar o país a construir armas nucleares.

"A construção da usina nuclear de Bushehr é um exemplo claro que mostra que qualquer país, que aceita a legislação internacional existente e interage de forma eficiente e aberta com a Agência Internacional de Energia Atômica, deve ter a oportunidade de usar pacificamente, o átomo", disse Sergei Kiriyenko, chefe da corporação estatal nuclear Rosatom, durante uma entrevista coletiva.

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