Irã condena 2 viajantes dos EUA à prisão por espionagem

Dois norte-americanos presos há mais de dois anos no Irã foram sentenciados a 8 anos de cadeia acusados de espionagem, informou a TV iraniana neste sábado. O veredicto deve prejudicar ainda mais as precárias relações entre o país e os Estados Unidos.

HOSSEIN JASEB, REUTERS

20 de agosto de 2011 | 16h53

Shane Bauer e Josh Fattal foram detidos em 31 de julho de 2009 no Irã, perto da fronteira iraquiana, com outra norte-americana, Sarah Shourd, que foi libertada e voltou para casa em setembro de 2010, após pagar fiança de 500 mil dólares.

Os três, com idades ao redor de 30 anos, disseram estar caminhando nas montanhas do norte do Iraque e que, se cruzaram a fronteira não demarcada, foi por engano.

"Cada um recebeu 3 anos de prisão por entrar ilegalmente em território iraniano e 5 anos pela acusação de cooperar com o serviço de inteligência americano", disse o website da TV estatal, citando como fonte "uma pessoa bem informada" do Judiciário.

Eles têm 20 dias de prazo para apelar da sentença, assinalou a emissora.

Os Estados Unidos, que não mantêm relações diplomáticas com o Irã, informaram estar tentando confirmar o relato por intermédio da Suíça, que se encarrega dos interesses diplomáticos do país no Irã.

"Pedimos repetidamente a libertação de Shane Bauer e Joshua Fattal, que estão há dois anos na prisão iraniana de Evin. Shane e Josh ficaram presos por tempo demais. É hora de reuni-los com suas famílias", disse a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA Victoria Nuland, em um comunicado.

O caso aumentou a tensão entre os dois países, que romperam relações diplomáticas depois da invasão da Embaixada dos EUA em Teerã, após a Revolução Islâmica, de 1979.

A TV anunciou o veredicto em um momento no qual a Rússia inicia nova tentativa de buscar uma solução diplomática para o impasse sobre o programa nuclear iraniano, que os EUA dizem ter como objetivo a construção de bombas atômicas, o que o Irã nega.

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