Irã condena à morte 6 dos detidos por protestos pós-eleições

Procurador de Teerã diz que eles insultaram sacramentos islâmicos durante manifestações de 27 de dezembro

Efe,

15 de março de 2010 | 08h28

Seis pessoas foram condenadas à morte pela justiça iraniana por participarem nos protestos políticos de 27 de dezembro em Teerã, que contestavam a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad em junho do ano passado, informa nesta segunda-feira, 15, a mídia do país.

 

Segundo informações da agência semi-oficial de notícias Fars, o procurador-geral de Teerã, Abbas Dolatabadi, anunciou a sentença durante uma reunião na noite do domingo em Qom com o aiatolá Nouri Hamedani. "No momento, as sentenças contra essas seis pessoas estão no tribunal de apelação para uma decisão final", disse Dolatabadi. As autoridades judiciais iranianas já enforcaram duas pessoas acusadas de terem insultado os sacramentos islâmicos durante os protestos pós-eleitorais.

 

Dolatabadi afirmou que, em princípio, as autoridades deram tratamento conciliador às pessoas que protestaram contra o resultado das eleições. "No entanto, continuaram as concentrações injustificadas, nas quais iam se colocando pouco a pouco slogans contra a República Islâmica", disse.

 

Segundo ele, os manifestantes condenados insultaram os sacramentos islâmicos durante os acontecimentos de 27 de dezembro passado - dia da Ashura, em que os muçulmanos relembram o martírio de Hussein, o imame mais venerado dos xiitas e neto de profeta Maomé.

 

PROTESTOS

 

O anúncio do resultado preliminar das eleições presidenciais de 12 de junho passado suscitou o protesto dos candidatos reformistas, Mir Hossein Moussavi e Mahdi Karrubi, que denunciaram irregularidades maciças no pleito e reivindicaram sua anulação.

 

Os protestos foram seguidos de manifestações em massa dos opositores, que qualificaram de "golpista" o governo de Mahmoud Ahmadinejad e reivindicaram eleições livres.

 

Os protestos pacíficos foram reprimidos pelas forças de segurança iranianas com um saldo oficial de pelo menos 40 mortos e milhares de detidos, entre eles centenas de ativistas políticos e jornalistas.

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