Irã confia no Brasil, diz embaixador sobre questão nuclear

Para embaixador em Brasília, País não tem intenção de colonizar outras nações, como as potências ocidentais

Denise Chrispim Marin, Agencia Estado

08 de fevereiro de 2010 | 13h58

O embaixador do Irã no Brasil, Mohsen Shaterzadeh Yazdi, disse nesta segunda-feira, 8, em Brasília que seu país confia no governo brasileiro nas negociações sobre a questão nuclear iraniana.

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"Ao contrário de outros países, que reagiram contra o anúncio do presidente Ahmadinejad, o Brasil não pensa em colonizar outro país", disse. "Os países que reagiram têm forte armamento nuclear. Se falam a verdade sobre o Irã, que destruam primeiro os seus arsenais antes de dar conselhos aos outros."

 

Segundo o embaixador, assim como o programa nuclear brasileiro, o de seu país não tem a finalidade de produzir armamento e é voltado exclusivamente para a medicina, a agricultura e a geração de eletricidade, "no sentido do bem".

 

O diplomata afirmou ainda que, apesar de ter iniciado o processo para o enriquecimento de urânio a 20% dentro do Irã, seu país continua disposto a aceitar o acordo negociado com o P5+1 (Estados Unidos, França, Reino Unido, China, Rússia e Alemanha).

 

A proposta prevê a transferência do estoque iraniano de 1.200 quilos de urânio enriquecido a 3,5% para a Rússia, que elevaria esse teor a 20% e transferiria para a França completar a produção de combustível para o reator de Teerã, que produz radiofármacos.

 

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Shaterzadeh insistiu que o anúncio feito pelo presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, sobre o enriquecimento em teor mais elevado ocorreu depois de concluído o prazo de dois meses para a negociação. Nesse período, o Irã insistiu para que a entrega de seu urânio fosse em três lotes e que a troca desse produto pelo combustível ocorresse simultaneamente.

 

 

No entanto, essas condições não foram aceitas pelo P5+1. "Vamos fabricar (o combustível), mas também continuar o diálogo. Se os ocidentais não impuserem condições, estamos dispostos a comprar o combustível", afirmou. "O Irã não vai dizer que está precisando dos ocidentais."

 

 

Do ponto de vista do Itamaraty, o anúncio de Ahmadinejad não implicará na produção em curto prazo do combustível nuclear que o Irã necessita para o funcionamento do reator produtor de radiofármacos. O país demoraria alguns anos para obter o produto acabado.

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