Irã confirma ter aceitado convite dos EUA para cúpula afegã

Resposta é vista como passo para diálogo; chanceler diz que 'crise' no Afeganistão precisa de solução regional

Agências internacionais,

26 de março de 2009 | 07h30

O Irã confirmou nesta quinta-feira, 26, que aceitou o convite dos Estados Unidos e participará da cúpula internacional sobre o Afeganistão que será realizada na próxima terça-feira, em Haia. O anúncio foi feito no mesmo dia em que o ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, disse que deve ser encontrada uma solução regional para a "crise" no Afeganistão. A participação tinha sido antecipada na quinta-feira pelo ministro de Relações Exteriores holandês, Maxime Verhagen, durante uma entrevista coletiva oferecida em Haia. "O Irã participará. Mas ainda não foi decidido a que nível", afirmou aos jornalistas o porta-voz do da chancelaria iraniana, Hassan Qashqavi.

 

Veja também:

lista Altos e baixos da relação entre Irã e EUA

 

O convite ao Irã foi feito pelos Estados Unidos e faz parte da nova política americana de tentar aumentar o engajamento da república islâmica na comunidade internacional. Na semana passada, o presidente Barack Obama enviou uma mensagem aos iranianos, por meio de vídeo, oferecendo um recomeço nas relações bilaterais. Na terça-feira, deu a entender que terá paciência na espera por uma resposta positiva de Teerã em relação a uma aproximação.

 

"Nós acreditamos que uma solução regional deve ser encontrada para a crise no Afeganistão", disse o ministro Manouchehr Mottaki, segundo a agência de notícias semi-oficial iraniana Fars. "O objetivo do Irã na região é colaborar com a paz, estabilidade e calma necessárias para o progresso da região", afirmou.

 

Durante a cúpula da ONU, prevista para durar apenas sete horas, o governo Obama deve apresentar as novas estratégias de combate ao Taleban e à Al-Qaeda, grupos que se refugiam em território afegão e paquistanês. Segundo Verhagen, o objetivo do encontro não é apenas falar sobre número de soldados e valores para ajuda econômica, mas "esboçar a melhor estratégia política para garantir a estabilidade na região".  Além disso, o evento deve se dirigir "especificamente" a analisar o papel dos países vizinhos - como Irã e Paquistão - no futuro do Afeganistão, que em 20 de agosto realiza eleições presidenciais, acrescentou o ministro.

Apesar dos esforços internacionais e dos 55 mil soldados estrangeiros no Afeganistão, recentemente, Obama afirmou que os EUA e o mundo não estão vencendo a luta contra os insurgentes. No mês passado, ele anunciou o envio de um contingente extra de 17 mil homens para o Afeganistão, para tentar evitar que a violência se agrave antes das eleições presidenciais de 20 de agosto.

 

No ano passado, Paris foi sede de uma conferência semelhante sobre o Afeganistão, que levantou US$ 20 bilhões em doações para o governo de Cabul. Quase 80 países e 20 organizações internacionais, como o Banco Mundial e o FMI, confirmaram presença em Haia. A Rússia, que não faz parte das forças internacionais no Afeganistão, também comparecerá. Assim como o Irã, a Rússia tem importância estratégica nas rotas de abastecimento das tropas.

Tudo o que sabemos sobre:
IrãEUAAfeganistão

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.