Irã critica ameaças de sanções na ONU e faz novas exigências

Deve haver uma sincronia, ou seja, a troca deve ocorrer ao mesmo tempo, diz ministro da Relações Exteriores

estadao.com.br,

05 de fevereiro de 2010 | 17h01

 O ministro de Assuntos Exteriores iraniano, Manouchehr Mottaki, criticou as ameaças de sanções contra seu país por causa de seu controvertido programa nuclear e fez novas exigências para receber urânio enriquecido vindo do exterior.

O compromisso proposto pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) deve ser revisado, afirmou Mottaki em entrevista que será publicada amanhã pelo jornal alemão "Süddetsche Zeitung" por ocasião da Conferência de Segurança de Munique, à qual também estará presente.

Segundo o chefe da diplomacia de Teerã, seu país só está disposto a exportar urânio levemente enriquecido se receber imediatamente em troca combustível nuclear altamente enriquecido para seus reatores experimentais.

"Deve haver uma sincronia, ou seja, a troca deve ocorrer ao mesmo tempo", explica Mottaki na entrevista, na qual assegura que o combustível altamente enriquecido que reivindica será destinado a um reator que fabrica produtos para fins médicos.

Sinal de recuo

Na terça-feira, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad afirmou que o Irã estaria disposto a enriquecer urânio fora do país, como prevê proposta feita pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em outubro.

O diretor da agência iraniana de energia atômica, Ali Akbar Salehi, incluiu na quarta-feira o Brasil, a França e possivelmente o Japão entre os países que o governo do Irã aceitaria enviar urânio para ser enriquecido a 20% e, com isso, evitar suspeita sobre o possível uso militar de seu programa atômico. O Itamaraty negou qualquer contato neste sentido.

 

Ainda na quarta, as potências ocidentais reagiram com ceticismo às declarações de Ahmadinejad. EUA, França, Reino Unido e Alemanha pediram ações concretas do Irã e uma comunicação oficial à AIEA de que o regime persa aceita a proposta de outubro. Analistas ocidentais temem que o Irã esteja tentando ganhar tempo com a promessa de Ahmadinejad para evitar sanções.

 

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O embaixador iraniano na AIEA, Ali Asghar Soltanieh, disse à Reuters que as declarações de Ahmadinejad demonstram o desejo do país de cooperar com as potências ocidentais, mas que a agência ainda não foi comunicada sobre a proposta de enriquecer urânio iraniano fora do país.

O acordo

O acordo fechado em outubro entre o Irã, a AIEA e o grupo formado por EUA , Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha previa o envio de 70% do urânio com baixo índice de enriquecimento (3,5%) para a Rússia e para a França.

O material seria processado e transformado em combustível para um reator nuclear, com enriquecimento de 20%. Para utilização de urânio em armas nucleares, o enriquecimento deve ser superior a 90%.

Com informações da Efe

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