Irã critica ausência da UE em visita a usinas nucleares

Um grupo de embaixadores da agência de energia atômica da ONU visitou uma usina nuclear iraniana no sábado, informou a televisão estatal, e Teerã acusou a União Europeia de perder uma oportunidade histórica ao boicotar a visita.

PARISA HAFEZI, REUTERS

15 de janeiro de 2011 | 17h48

O Irã disse que a visita teve o objetivo de demonstrar a transparência do país sobre seu programa atômico, antes das negociações com as grandes potências, marcadas para 21 e 22 de janeiro. A China e a Rússia recusaram o convite para a visita, devido à pressão de governos do Ocidente.

Teerã convidou alguns embaixadores junto à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para visitar suas instalações nucleares. Os enviados norte-americanos, britânicos, francês e alemães não foram convidados, e a UE recusou o convite, dizendo que os inspetores nucleares das Nações Unidas deveriam realizar esse tipo de visita.

"A UE perdeu a oportunidade histórica de uma maior cooperação com o Irã e também de conhecer suas atividades nucleares pacíficas", disse Ali Asghar Soltanieh, enviado do Irã na AIEA, à TV estatal, antes da visita.

Analistas disseram que o convite seletivo poderia ter sido destinado a atrapalhar a recente harmonia nas negociações entre os governos dos EUA e Europa de um lado e a Rússia e a China de outro, visando medidas que amenizem a desconfiança com as atividades nucleares iranianas.

Mas a mais alta autoridade nuclear do Irã e ministro das Relações Exteriores, Ali Akbar Salehi, negou que Teerã esteja tentando dividir o P5+1, os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU --China, França, Rússia, Grã-Bretanha e Estados Unidos-- mais a Alemanha.

"A China e a Rússia têm as suas próprias considerações políticas (...). O objetivo desta visita não é dividir o P5+1", disse ele na usina de água pesada de Arak, ao vivo pela TV estatal.

Os enviados, que ficarão no Irã até segunda-feira, visitaram o complexo de Arak.

Mais tarde, vão visitar a usina subterrânea de enriquecimento de urânio de Natanz, onde o gás hexafluoreto de urânio (UF6) é colocado em centrífugas.

Esse processo gera material que serve de combustível de usinas de energia e que poderia, se altamente enriquecido, ser utilizado para ogivas nucleares.

Os Estados Unidos e seus aliados acusam o Irã de secretamente fabricar bombas atômicas, sob a fachada de um programa civil de energia nuclear para gerar eletricidade. O Irã nega a acusação.

Juntamente com o Movimento dos Países Não Alinhados das nações em desenvolvimento, o grupo dos sete emissários é composto de embaixadores do Egito, Venezuela, Síria, Argélia, Omã e Cuba. Jornalistas que trabalham para a mídia estrangeira no Irã não foram convidados para visitar as usinas.

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