Irã critica embargo da União Europeia a petróleo e adverte EUA

Teerã acusa europeus de travar 'guerra psicológica' com sanções e minimiza restrições

Reuters

23 de janeiro de 2012 | 18h44

TEERÃ - O Irã acusou os países europeus nesta segunda-feira, 23, de travarem uma "guerra psicológica" depois que a União Europeia proibiu as importações do petróleo iraniano, juntando-se aos Estados Unidos nas novas sanções que tentam evitar que Teerã obtenha armas nucleares.

 

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A República Islâmica, que nega que esteja tentando fabricar uma bomba atômica, menosprezou os esforços de estrangular suas exportações de petróleo, já que a Ásia faz fila para comprar o que a Europa despreza.

Alguns iranianos também renovaram as ameaças de impedir que o petróleo árabe deixe o Golfo e advertiram que podem atacar alvos norte-americanos no mundo se Washington usar força para romper qualquer bloqueio iraniano de uma rota de navegação estrategicamente vital.

No entanto, em três décadas de confronto entre Teerã e o Ocidente, a retórica belicosa e o arsenal duvidoso de sanções tornaram-se tão familiares que o preço do petróleo bruto Brent, de referência, subiu menos de 0,5 por cento, e parte disso devia-se a fatores de câmbio não relacionados.

"Se houver qualquer interrupção em relação à venda do petróleo iraniano, o Estreito de Ormuz será fechado definitivamente", disse à agência de notícias Fars Mohammad Kossari, vice-chefe do comitê de segurança nacional e de assuntos estrangeiros do Parlamento, um dia depois de navios de guerra norte-americano, francês e britânico terem navegado de volta para o Golfo.

"Se a América buscar aventuras depois do fechamento do Estreito de Ormuz, o Irã tornará o mundo inseguro para os americanos no menor tempo possível", acrescentou Kossari, referindo-se a uma promessa anterior dos EUA de usar sua frota para manter a passagem aberta.

Os Estados Unidos, que impuseram suas próprias sanções contra o banco central e o comércio de petróleo do Irã em 31 de dezembro, elogiaram a medida da UE, assim como Israel. O país advertiu que poderia atacar o Irã se as sanções não desviarem Teerã de uma rota que alguns analistas argumentam que pode dar ao Irã uma bomba nuclear já no próximo ano.

A secretária americana de Estado, Hillary Clinton, disse em um comunicado junto a Timothy Geithner, secretário do Tesouro: "essa pressão nova e combinada vai acentuar a escolha para os líderes do Irã e aumentar o custo deles de desafiar as obrigações internacionais básicas".

Negociações

 

Alemanha, França e Grã-Bretanha usaram as sanções da UE como uma deixa para chamar Teerã a renovar as negociações suspensas sobre seu programa nuclear. A Rússia, que assim como a China é um forte crítico da postura ocidental, disse que as negociações deveriam ser retomadas.

O Irã, no entanto, disse que as novas sanções tornam isso mais improvável. Essa é uma visão compartilhada por muitos no Ocidente, que dizem que tais táticas podem endurecer o apoio iraniano a um programa nuclear que também parece estar sujeito a uma "guerra" secreta de sabotagens e assassinatos atribuídos a agentes israelenses e ocidentais.

Ministros das Relações Exteriores da União Europeia, que concordaram com um embargo antecipado às importações de petróleo iraniano em um encontro em Bruxelas, estavam tão ansiosos em não punir as economias enfraquecidas da Grécia, Itália e de outros países do bloco que dependem do petróleo iraniano, que o embargo da UE só entrará em vigor em 1 de julho. E essa estratégia será revista em maio, quando decidirão se ela seguirá adiante.

Mas cortar as exportações de petróleo do Irã é uma faca de dois gumes, como mostrou claramente a resposta de Teerã ao embargo. A perda da receita do petróleo é dolorosa para um establishment clerical que enfrenta um teste eleitoral em uma época de inflação galopante, que está afetando a população.

Já que os vizinhos árabes do Irã, aliados do Ocidente, estão lutando para aumentar sua própria produção para compensar o embargo, os cortes nas exportações de Teerã provocaram um aumento no preço do petróleo e aumentaram os custos para indústrias ocidentais atingidas pela recessão.

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