Irã critica mobilização de mísseis dos EUA no Golfo

O Irã minimizou nesta terça-feira a ampliação do sistema de mísseis defensivos dos EUA no golfo Pérsico, afirmando ter boas relações com todos os países vizinhos.

REUTERS

02 de fevereiro de 2010 | 10h38

Autoridades dos EUA anunciaram no domingo que Washington havia ampliado seus sistemas de mísseis defensivos em terra e mar no golfo Pérsico e arredores, o que inclui os sistemas Patriot instalados no Kuweit, Qatar, Emirados Árabes e Bahrein.

"Consideramos esse tipo de movimento por parte de países estrangeiros na região como inviáveis, e temos testemunhado o fracasso de tais manobras", disse Ramin Mehmanparast, porta-voz da chancelaria iraniana, em entrevista coletiva.

"As relações entre a República Islâmica do Irã e os outros países na região são muito boas e amistosas. Uma atitude interativa na região é a única abordagem adequada para fazer a paz e a estabilidade."

Na segunda-feira, o Departamento de Defesa dos EUA disse ter feito sem sucesso um exercício no qual tentou abater um míssil imitando um ataque do Irã. O problema foi atribuído a uma falha em um radar fabricado pela empresa Raytheon. O teste sobre o Pacífico custou 150 milhões de dólares.

No mesmo dia, o Pentágono divulgou um relatório informando que o Irã ampliou a capacidade de seus mísseis balísticos e agora representa uma ameaça "significativa" para as forças dos EUA e dos seus aliados na região do Oriente Médio.

A expansão dos mísseis defensivos dos EUA começou no governo de George W. Bush e foi reforçada na gestão de Barack Obama, que defende uma nova rodada de sanções ao programa nuclear iraniano.

Autoridades disseram que a expansão se destina a aumentar a proteção para as forças dos EUA e seus aliados na região do golfo Pérsico.

Nem os EUA nem Israel descartam uma ação militar caso a diplomacia não convença o Irã a abandonar seu programa nuclear, que governos ocidentais suspeitam que esteja voltado para o desenvolvimento de armas atômicas. O Irã insiste no caráter pacífico das suas atividades, e promete reagir se for atacado. Teerã diz também que seu programa de mísseis é de natureza defensiva.

"É interessante que eles (americanos) justifiquem sua manobra dizendo que a razão são as preocupações dos países da região a respeito do Irã", disse o presidente do Parlamento, Ali Larijani, segundo relato do site da rádio estatal Irib.

"É estranho que as autoridades norte-americanas não notem que o problema na região é a sua presença (dos EUA), e que quanto mais vocês mobilizarem a artilharia, mais os países anfitriões ficarão preocupados", declarou ele ao Parlamento.

(Reportagem de Hashem Kalantari e Reza Derakhshi)

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