Irã culpa EUA, Grã-Bretanha e Paquistão por ataque suicida

Atentado contra tropa de elite matou ao menos 42 pessoas; parlamento cogita ação militar no país vizinho

Reuters,

19 de outubro de 2009 | 07h20

O chefe da Guarda Revolucionária do Irã disse nesta segunda-feira, 19, que o grupo de rebeldes sunitas responsabilizado pelo ataque suicida contra o corpo militar de elite - que matou pelo menos 42 pessoas no último domingo - tem ligações com as inteligências de Estados Unidos, Grã-Bretanha e Paquistão. O general Mohammad Ali Jafari acrescentou: "Nos bastidores estão os aparatos de inteligência norte-americano e britânico e terá de haver medidas retaliatórias para puní-los".

 

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Um integrante do Parlamento iraniano levantou, inclusive, a possibilidade de uma operação militar do país no Paquistão contra o "grupo terrorista" responsabilizado pelo ataque. "Há unanimidade sobre quaisquer operações que a Guarda Revolucionária e as forças de segurança julgarem necessárias", disse o parlamentar Payman Forouzesh, segundo a agência de notícias ISNA. "Há até mesmo unanimidade de que essas operações (podem) acontecer em território do Paquistão", disse o parlamentar, que é representante da província de Sistan-Baluquestão, onde o ataque aconteceu.

 

O ataque suicida matou no domingo, 18, ao menos 5 oficiais da Guarda Revolucionária, num dos atentados mais ousados contra a instituição militar mais poderosa do país. O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, também disse ter informações do envolvimento de "agentes de segurança" do Paquistão no ataque e exigiu de Islamabad cooperação com a investigação.

A explosão causada por um homem-bomba na cidade de Pishin também deixou cerca de 30 feridos. Indignados com o ataque - cuja autoria foi reivindicada pelo grupo radical sunita Jundollah (Soldados de Alá) -, as forças de segurança iranianas prometeram vingança. 

 

Na véspera de um importante encontro entre funcionários do governo iraniano e representantes ocidentais sobre o programa nuclear de Teerã, marcada para esta segunda-feira em Viena, a resposta de Washington foi rápida. "Condenamos este ato de terrorismo e lamentamos a perda de vidas inocentes, mas informações de um suposto envolvimento dos EUA são completamente falsas", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado Ian Kelly.

A Guarda Revolucionária é uma força de elite subordinada ao líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei. Seus mais de 120 mil integrantes controlam o programa de mísseis, além das instalações nucleares iranianas. A força também tem unidades terrestres, marítimas e aéreas.

 

(Com AP)

 
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