Irã declara vitória após relatório dos EUA sobre armas nucleares

Ahmadinejad fala pela 1.ª vez sobre documento e diz que ele prova declarações da Agência Nuclear da ONU

Agências internacionais,

05 de dezembro de 2007 | 07h36

O Irã comemorou na terça-feira o relatório de inteligência dos EUA que contradiz as acusações prévias do governo Bush de que a República Islâmica estaria desenvolvendo armas nucleares, mas o presidente George W. Bush disse que o Irã continua sendo um perigo e que a pressão internacional deve ser mantida.  Veja TambémBaradei vê 'oportunidade' para o Irã em relatórioRice reafirma ameaça de programa nuclear A estimativa de Inteligência Nacional divulgada na segunda-feira surpreendeu amigos e inimigos dos EUA, após anos de estridentes acusações de Washington. O Irã disse que o relatório comprova o que o país diz há anos: que seu programa nuclear é pacífico, voltado apenas para a geração de eletricidade com fins civis.  A nova estimativa Nacional de Inteligência norte-americana surpreendeu aliados e inimigos dos EUA ao dizer que o Irã suspendeu em 2003 seu programa de armas nucleares, embora continue incrementando sua capacidade de enriquecer urânio.  A secretária de Estado americano, Condoleezza Rice, afirmou nesta quarta-feira que o relatório da inteligência não significa que o Irã não dever ser considerado uma ameaça. Rice está na Etiópia, onde pediu que a comunidade internacional não retroceda na pressão realizada pelo Conselho de Segurança da ONU para que o país interrompa o seu programa nuclear. O relatório oficial norte-americano teve impacto imediato sobre as manobras em curso para reforçar as sanções da ONU. A China, que aceitara com relutância não usar seu poder de veto nos dois pacotes de punições já impostos a Teerã, disse que o docomento cria novas condições. "Acho que todos partimos do pressuposto de que agora as coisas mudaram", disse o embaixador chinês na ONU, Guangya Wang.  A França e a Reino Unido, a exemplo de Bush, defenderam que seja mantida a pressão contra o Irã, enquanto Israel, que vê num Irã com armas nucleares uma ameaça à sua própria existência, demonstrou ceticismo com o relatório.  O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, disse que a campanha internacional contra o programa nuclear iraniano deve ser mantida. "É vital manter os esforços para evitar que o Irã desenvolva uma capacidade como esta [de ter armas], e vamos continuar fazendo assim junto com nossos amigos, os Estados Unidos", afirmou ele a jornalistas.  A ministra de Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, pediu nesta quarta-feira ao corpo diplomático israelense que mantenha a campanha para endurecer as sanções contra o Irã, para que o país desista de seu programa nuclear, segundo informa o jornal Yediot Aharonot. Livni enviou a recomendação às embaixadas israelenses no mundo todo antes de iniciar uma viagem oficial à Eslovênia. Meios diplomáticos israelenses temem agora que o relatório publicado nos EUA, país que sempre liderou a frente contra o Irã, reforce as posições da Rússia e da China contra uma terceira rodada de sanções. Ameaça iraniana Em entrevista coletiva em Washington, Bush disse que o relatório na verdade dá motivo para mais pressão, e que essa abordagem já se mostrou bem sucedida anteriormente. Segundo ele, o Irã desenvolve tecnologia nuclear e pode retomar um programa atômico militar secreto. "O Irã foi perigoso. O Irã é perigoso. E o Irã será perigoso se tiver o conhecimento necessário para fazer uma arma nuclear."  Segundo a BBC, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, telefonou aos ministros do Exterior da China, da França e da Alemanha e ao chefe da diplomacia da União Européia, Javier Solana, para discutir o programa nuclear iraniano. Rice disse que seria "um grande erro" diminuir a pressão sobre Teerã. Em Londres, um porta-voz do primeiro-ministro Gordon Brown disse que o relatório confirma que havia motivo para preocupação e que "o programa de sanções e a pressão internacional estavam tendo um efeito, já que aparentemente eles abandonaram o elemento de aquisição da arma [nuclear]".  A França, segundo uma porta-voz da chancelaria, também defendeu que se continue "o trabalho pela introdução de medidas restritivas no marco das Nações Unidas".  As potências mundiais se reuniram no sábado passado em Paris para discutir uma nova rodada de sanções contra o Irã devido à sua recusa em suspender o enriquecimento de urânio, processo que pode gerar combustível para usinas nucleares ou, com grau maior de purificação, material para bombas nucleares.  Em Viena, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU) disse que o novo relatório dos EUA corrobora as conclusões dos inspetores da agência nos últimos anos a respeito do Irã.

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