Irã desacelerou programa nuclear, dizem diplomatas

Teerã nega que projeto passa por dificuldades técnicas e que produção de urânio tenha diminuído

MARK HEINRICH, REUTERS

03 de agosto de 2007 | 10h06

Após acelerar seu programa nuclear no primeiro semestre, o Irã agora parece ter reduzido o ritmo das suas atividades, segundo diplomatas.Há dois meses, o Irã parecia se encaminhar para ter 3.000 centrífugas em funcionamento até o fim de julho, o que seria suficiente para produzir urânio enriquecido para uso em usinas ou armas.O Irã parece distante dessa marca, e ninguém de fora do fechado núcleo decisório do país sabe por quê, segundo diplomatas familiarizados com as inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU) no complexo nuclear subterrâneo de Natanz.Diplomatas e analistas especulam que pode haver motivações políticas e obstáculos técnicos.O Irã tenta evitar uma terceira rodada de sanções da ONU ao seu programa nuclear, o que explica a repentina cooperação do país com as investigações da AIEA.  O país garante que seu programa nuclear é voltado apenas para a geração de energia com fins civis, embora o Ocidente suspeite do desenvolvimento de armas atômicas. Problemas técnicosA República Islâmica enfrenta dificuldades para manter em funcionamento por longos períodos e em uníssono as centrífugas que, girando em velocidades supersônicas, produzem urânio enriquecido em quantidades adequadas.No segundo trimestre deste ano, o Irã instalou cerca de 2.000 centrífugas num ritmo alucinante, a fim de atingir a "capacidade industrial" no enriquecimento de urânio, apesar de não ter conseguido superar pequenos problemas na pequena usina-piloto de enriquecimento, segundo analistas.O objetivo final do Irã é manter cerca de 55 mil centrífugas em Natanz. Com pouco menos de 3.000 centrífugas, ligadas em 18 redes de 164 cada, o país levaria um ano para acumular urânio suficiente para uma bomba atômica."Na semana passada nos disseram que o Irã só tinha dez redes funcionando, com mais duas sendo testadas a vácuo (sem urânio), e algumas outras centrífugas sendo testadas quanto a vazamentos", disse um diplomata europeu."O Irã aparentemente reduziu deliberadamente as encomendas de centrífugas, o que significa que fizeram poucos progressos desde o último relatório da AIEA para nós, em maio", declarou essa fonte. "Se é uma questão técnica ou um sinal político, ninguém sabe ainda."Uma importante fonte ligada à AIEA confirmou a desaceleração noticiada inicialmente pelo diretor da entidade, Mohamed El Baradei, em 9 de julho, mas afirmou que os problemas técnicos não são evidentes."O Irã apressou as encomendas na primavera para apresentar um fato consumado a Washington. A desaceleração é política também. Eles podem acelerar novamente quanto quiserem", disse o diplomata.Mas especialistas independentes acham que o Irã de fato tem problemas técnicos. "Nunca fez sentido tecnicamente instalar tantas centrífugas antes que as redes da usina-piloto estivessem funcionando bem. Talvez os líderes políticos finalmente tenham ouvido de seus técnicos que a pressa gera desperdício", disse Mark Fitzpatrick, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos.Autoridades iranianas negam qualquer desaceleração, dizendo que o programa avança normalmente.

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