Irã descarta ameaça de ataque americano ou israelense

Chanceler iraniano diz que nenhum dos dois países 'recorreria a tamanha loucura'

Agência Estado e Associated Press,

02 de julho de 2008 | 15h20

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, disse durante uma entrevista concedida à agência Associated Press que desconsidera a hipótese de seu país ser atacado pelos Estados Unidos ou por Israel, pelo menos por enquanto. Na entrevista, concedida nesta quarta-feira, 2, na sede da AP em Nova York, Mottaki afirmou acreditar que nenhum dos dois países "recorreria a tamanha loucura." Veja também:Irã reagirá violentamente a qualquer ataque, diz ministro Na análise do chanceler iraniano, os Estados Unidos não teriam como financiar uma segunda frente de combate na região e Israel atravessa um momento de intensa turbulência política interna. Tanto EUA quanto Israel insistem em não descartar a possibilidade de uma ação militar contra Teerã por conta do programa nuclear mantido pela república islâmica. "Não prevemos essa possibilidade no momento. O governo israelense está enfrentando um colapso político interno e na região como um todo. Portanto, não prevemos a possibilidade de esse regime recorrer a tamanha loucura", opinou o ministro. "Os Estados Unidos também não estão em uma posição na qual possam se engajar, assumir um novo risco na região. É claro que há pessoas nos Estados Unidos interessadas nisso. Mas pensamos que a voz de pessoas racionais no país impedirá uma ação como essa, impedindo um novo ato aventureiro que exerça pressão sobre os contribuintes americanos." Durante a entrevista, Mottaki buscou um tom conciliatório com relação aos EUA e afirmou que o Irã prefere soluções políticas e diplomáticas, mas advertiu que, se for atacada, a república islâmica responderá "como qualquer outro país independente." Mais cedo, o ministro do Petróleo do Irã, Gholam Hossein Nozari, advertiu em Madri, onde participa do 19º Congresso Mundial do Petróleo, que qualquer eventual ataque dos Estados Unidos ou de Israel contra a república islâmica geraria uma reação dura e inimaginável. Nozari também comentou que manobras militares simulando ataques ao Irã afetam ainda mais os já voláteis preços do petróleo, que vêm alcançando novos recordes de alta quase diariamente. "O Irã, se houver qualquer tipo de atividade (militar), não ficará quieto e poderá reagir de forma dura e inimaginável", disse o ministro em conversa com jornalistas às margens do congresso. Em Washington, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, insistiu que todas as opções estão na mesa no que diz respeito ao programa nuclear iraniano, mas ressalvou que a solução militar não seria sua primeira opção nos meses que antecedem o fim de sua presidência. Os Estados Unidos e Israel acusam o Irã de desenvolver em segredo um programa nuclear bélico. O governo iraniano nega, assegura que suas usinas atômicas têm fins estritamente pacíficos de geração de energia elétrica e já declarou em diversas ocasiões que não pretende interromper suas atividades nucleares. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), braço da Organização das Nações Unidas (ONU) responsável por acompanhar a obediência às regras do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) por parte dos signatários do acordo, considera o programa nuclear civil do Irã dentro da legalidade.

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