Irã descarta suspender programa nuclear apesar de incentivos

Teerã afirma que benefícios oferecidos pela comunidade internacional violam direitos da nação iraniana

EDMUND BLAIR, REUTERS

05 de maio de 2008 | 08h58

O Irã disse nesta segunda-feira, 5, que não vai suspender o seu programa de enriquecimento de urânio em troca de novos incentivos oferecidos pela comunidade internacional.  Seis potências internacionais decidiram na sexta-feira oferecer um novo pacote de benefícios em troca da suspensão das atividades nucleares. O Ocidente suspeita que o Irã pretenda desenvolver armas atômicas, o que Teerã nega, alegando que seu interesse é apenas gerar energia de modo a exportar o seu excedente de petróleo. "Esses incentivos que de alguma forma violam o direito da nação iraniana não serão avaliados pelo Estado islâmico", disse Mohammad Ali Hosseini, porta-voz da chancelaria, a jornalistas.  Um influente diplomata da UE que participa em Genebra de uma conferência sobre reformas no Tratado de Não-Proliferação Nuclear disse que "aparentemente se trata de uma reação preliminar, que pode não ser particularmente séria". Em 2006, seis potências mundiais (EUA, França, Reino Unido, China, Rússia e Alemanha) apresentaram ao Irã um pacote de incentivos que também foi rejeitado. "Acreditamos que o caminho adotado no passado (com ofertas das potências) não deva ser mantido. Eles devem agir com base nas realidades e regulamentos internacionais. As negociações devem ser realizadas com base no respeito aos direitos das nações", disse Hosseini. O Irã disse não ter recebido os termos do novo pacote, e o Reino Unido afirmou que os detalhes serão informados apenas ao governo iraniano. Mas diplomatas europeus dizem que está mantida a oferta, já feita em 2006, de ajudar o Irã a desenvolver a energia nuclear para fins civis, além de benefícios comerciais em diversas áreas. Participando da reunião em Genebra, o representante norte-americano Christopher Ford disse que a oferta é "a melhor chance (do Irã) para uma prosperidade futura [...], ao em vez do caminho do isolamento". Ele desdenhou do suposto caráter pacífico do programa iraniano, argumentando que o país tem reservas de urânio "apenas para um punhado de armas nucleares", mas não para uma rede de usinas nucleares, para as quais teria de importar combustível. No domingo, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse que o Irã não vai abandonar seus direitos, apesar da pressão ocidental. "Ameaçar a nação iraniana não a fará recuar", disse ele, sem mencionar especificamente as atividades nucleares. Os Estados Unidos dizem preferir a diplomacia para resolver o impasse, mas não descartam uma ação militar. Mas, em entrevista a uma TV israelense, o almirante Michael Mullen, chefe do Estado-Maior Conjunto norte-americano, disse que seria muito complicado atacar o Irã. "Seria um desafio muito significativo para os Estados Unidos neste momento entrar num terceiro conflito naquela parte do mundo (onde também ficam Iraque e Afeganistão)", admitiu Mullen. Israel, alvo de comentários agressivos do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, defende que a comunidade internacional assuma posições duras contra Teerã.

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