Irã deve tomar ações concretas sobre programa nuclear, diz Obama

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta quinta-feira que o Irã ouviu uma mensagem única da comunidade internacional na reunião em Genebra e que Teerã deve agora tomar ações que assegurem que seu programa nuclear não é para a produção de armas.

LOUIS CHARBONNEAU, REUTERS

01 de outubro de 2009 | 17h53

"O governo iraniano ouviu uma mensagem clara e unificada da comunidade internacional em Genebra. O Irã deve demonstrar através de passos concretos que assumiu suas responsabilidades em relação ao programa nuclear".

Mais cedo, os Estados Unidos disseram que tiveram as conversações diretas de mais alto nível em três décadas com o Irã para tentar aplacar as suspeitas ocidentais de que Teerã estaria planejando construir uma bomba nuclear.

A conversa bilateral "significativa" aconteceu durante uma reunião entre o Irã e seis potências mundiais nas proximidades de Genebra, na Suíça, disse um dos presentes.

As negociações, que também têm a presença da Grã-Bretanha, França, Alemanha, Rússia e China, aconteceram em meio à preocupação internacional intensificada com a revelação feita pelo Irã de que possui uma segunda usina de enriquecimento de urânio.

Teerã diz que seu programa nuclear pretende apenas produzir eletricidade e excluiu a possibilidade de discuti-lo, dizendo que as conversações devem focar questões como o Afeganistão.

Mas, um diplomata ocidental próximo ao encontro disse que o negociador nuclear iraniano mencionou a questão nuclear em sua declaração inicial, assim como a segunda usina de enriquecimento, em Qom.

O chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, deve visitar o Irã neste fim de semana, disse uma autoridade norte-americana sob condição de anonimato.

Na reunião em Genebra, o Irã concordou em abrir a segunda recém-divulgada usina de Qom para a supervisão da AIEA. Os países do Ocidente disseram que a agência deverá ter acesso ao local dentro de algumas semanas.

O diplomata disse que ainda não está claro se os iranianos vão fazer concessões sobre a questão mais ampla da suspensão do enriquecimento de urânio, conforme o exigido por cinco resoluções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

A televisão estatal iraniana disse mais tarde que os dois lados vão voltar a se reunir neste mês, mas ainda não houve confirmação imediata disso.

"LÓGICA DA FORÇA"

Em declarações à Reuters, um assessor do presidente Mahmoud Ahmadinejad, Ali Akbar Javanfekr, aconselhou o Ocidente a não empregar o que chamou de "a lógica da força."

Um representante iraniano que se negou ser identificado disse que o Irã quer que as conversações tenham êxito. "Queremos que a lógica domine o ambiente das conversações", disse ele.

Em Washington, funcionários seniores da administração Obama disseram que os Estados Unidos não iriam ameaçar o Irã com novas sanções. Mas um funcionário disse que os EUA preparam "uma gama de áreas" nas quais buscará sanções no caso de Teerã ignorar os pedidos ocidentais em relação a seu programa nuclear.

As sanções poderão ser aplicadas por meio do Conselho de Segurança da ONU ou por Estados individuais. Especialistas acreditam que elas podem visar o setor energético.

A reunião, realizada em uma mansão disponibilizada pela Suíça há décadas para reunir lados opostos, foi a primeira em que um representante dos EUA foi "participante pleno".

O subsecretário de Estado para Assuntos Políticos, William Burns, chefe da delegação americana, também se reuniu em separado com o negociador-chefe nuclear do Irã, Saeed Jalili, disseram representantes americanos.

Foram as conversações de mais alto nível entre EUA e Irã em quase 30 anos. Em uma reunião semelhante realizada em Genebra em 2008, Burns deixou a sala para evitar ter de apertar a mão de Jalili, segundo diplomatas presentes na ocasião.

Washington cortou relações com Teerã em 1980 durante uma crise de reféns, na esteira da Revolução Islâmica iraniana.

(Reportagem adicional de Parisa Hafezi)

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