Irã divulga 'confissões' de assassinatos de cientistas nucleares

A televisão estatal iraniana transmitiu o que descreveu como confissões de indivíduos acusados de assassinar cientistas nucleares iranianos, dizendo que trabalharam como agentes israelenses para sabotar o programa nuclear do país.

YEGANEH TORBATI, Reuters

06 de agosto de 2012 | 15h22

Cinco cientistas iranianos e acadêmicos foram mortos ou atacados desde 2010 em incidentes que se acreditava terem como alvo o polêmico programa nuclear do Irã, que o Ocidente diz que se destina a produzir uma bomba.

O Irã nega isso, argumentando que seu programa nuclear tem fins pacíficos, e denunciou os assassinatos de seus cientistas como atos de terrorismo cometidos pelas agências de inteligência ocidentais e pelo Mossad, agência israelense de inteligência.

Em um documentário exibido na noite de domingo, chamado "Clube do Terror" e com uma pontuação dramática, um grupo de homens e mulheres sentados contra um fundo preto confessou ter passado por semanas de treinamento em Israel e, em seguida, ter retornando ao Irã para cometer os assassinatos dos cientistas nucleares.

Um homem entrevistado, Behzad Abdoli, disse que ele foi levado para um campo de treinamento, cuja localização foi censurada no filme.

"Eu recebi treinamento militar lá, treinamento para andar de moto, atirar, defesa pessoal", disse Abdoli. "Eles nos deram treinamento de informação também... como tirar fotos, por exemplo. Demorou cerca de 40, 45 dias."

O filme, que não esclarece se eles haviam enfrentado julgamento ou quando isso poderia acontecer, mostrou reconstituições dos assassinatos, com os suspeitos narrando como eles foram realizados.

Essa parte incluiu imagens de um suposto campo localizado nos arredores de Tel Aviv. Abdoli disse que ele viajou para Israel via Turquia e Chipre.

O narrador do documentário afirmou que um "país vizinho" havia ajudado a levar os suspeitos para Israel sem ser detectados.

O chefe da inteligência iraniana, Heydar Moslehi, disse no mês passado que a República Islâmica havia fechado duas redes dentro e fora do país que, segundo ele, estavam envolvidas no treinamento dos assassinos.

Os assassinatos, explosões misteriosas nos locais militares e um vírus de computador, Stuxnet, que danificou centrífugas iranianas e foi descoberto em 2010, pareceram fazer parte de uma campanha de sabotagem secreta visando impedir o seu programa nuclear.

Os Estados Unidos negaram envolvimento nos assassinatos, enquanto Israel tem permanecido em silêncio.

Organizações de direitos humanos, incluindo a Human Rights Watch e a Anistia Internacional, acusaram o Irã no passado de obtenção de confissões falsas de suspeitos usando violência física e ameaças.

"Em muitos casos, a tortura e outros maus-tratos são utilizados para extrair 'confissões' sob coação", disse Drewery Dyke, pesquisador iraniano da Anistia Internacional, à Reuters em um e-mail. "Acusações de tortura são rotineiramente ignoradas no tribunal e não investigadas, enquanto 'confissões' extraídas sob coação são aceitas como prova.""

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