Irã diz aceitar reunião com potências, mas sem discussão nuclear

O Irã disse na terça-feira às potências mundiais que está disposto a participar de um diálogo no fim do mês ou no começo de dezembro na Turquia, mas uma autoridade do país afirmou que Teerã não aceitaria incluir a questão nuclear na pauta do encontro.

PARISA HAFEZI, REUTERS

09 de novembro de 2010 | 18h36

Alguns governos ocidentais temem que o Irã esteja desenvolvendo secretamente armas nucleares, enquanto a República Islâmica alega que seu objetivo é apenas produzir energia com fins pacíficos.

Estados Unidos, França, Rússia, Grã-Bretanha, Alemanha e China estão envolvidos nas tentativas de oferecer vantagens ao Irã em troca de o país abandonar seu programa de enriquecimento de urânio.

Mas analistas dizem que disputas dentro do regime islâmico iraniano podem dificultar qualquer acordo, ou mesmo a realização de um diálogo significativo.

Em carta datada de terça-feira, e à qual a Reuters teve acesso, o negociador iraniano Saeed Jalili disse à chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, que ele está disposto a participar de uma reunião em Istambul em 23 de novembro ou 5 de dezembro.

Ele não disse qual seria a pauta desse encontro. Ashton, em nome das seis potências, tem declarado que tudo deveria estar sobre a mesa, inclusive o programa nuclear iraniano.

A comissária havia proposto que a reunião ocorresse entre os dias 15 e 17 em Viena, e ela não se manifestou após receber a carta de Jalili.

Em julho, Jalili havia dito em outra carta a Ashton que em breve poderia haver discussões a respeito de várias questões, inclusive o programa nuclear iraniano.

Seria o primeiro encontro desse tipo em mais de um ano, e também o primeiro desde que a Organização das Nações Unidas (ONU), os EUA e a UE adotaram nos últimos meses sanções mais duras contra o Irã.

Também na terça-feira, a agência iraniana de notícias Isna disse, citando um porta-voz da chancelaria local, que o país não irá discutir o seu programa nuclear na reunião de Istambul, o que reforça as dúvidas sobre a chance de progressos nessa disputa que se arrasta há vários anos.

"As discussões do Irã (com as seis potências) não será de forma alguma sobre a questão nuclear do Irã", disse o porta-voz Ramin Mehmanparast.

Segundo ele, isso significa que tampouco estará na pauta a proposta de intercâmbio de material nuclear, o que permitiria ao Irã receber combustível para um reator de pesquisas médicas sem precisar enriquecer urânio por conta própria, reduzindo assim os motivos de preocupação para os governos ocidentais.

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