Irã diz estar em contato com potências mas União Europeia nega

O Irã afirmou nesta quarta-feira que está em contato com as grandes potências para iniciar negociações formais em breve, mas a União Europeia negou e a Grã-Bretanha disse que Teerã deveria demonstrar maior disposição em esclarecer as suspeitas que cercam o seu programa nuclear.

ROBIN POMEROY E RAMIN MOSTAFAVI, REUTERS

18 de janeiro de 2012 | 17h17

Um ano depois da suspensão da última negociação, a UE se prepara para endurecer dramaticamente suas sanções ao Irã, iniciando um embargo às exportações de petróleo do país, vital para a sua economia.

O Irã, por sua vez, ameaça bloquear o estreito de Ormuz, a boca do golfo Pérsico por onde passa um terço das exportações marítimas de petróleo, caso não possa vender o seu produto.

Políticos iranianos disseram que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, enviou uma carta a Teerã manifestando sua disposição de negociar, uma iniciativa que poderia aliviar a tensão que provocou uma recente disparada no preço do petróleo.

"Há negociações em curso sobre local e data. Gostaríamos de manter essas negociações", disse o chanceler iraniano, Ali Akbar Salehi, a jornalistas durante visita à Turquia.

"Provavelmente, não tenho certeza ainda, o local será Istambul. O dia não foi marcado ainda, mas será em breve."

Seis potências -Estados Unidos, Rússia, China, Alemanha, França e Grã-Bretanha- estão envolvidas nas negociações destinadas a convencer o Irã a abandonar suas atividades de enriquecimento de urânio.

Falando em nome do grupo, a chefe da política externa europeia, Catherine Ashton, negou que haja novas discussões com o Irã. "Ainda estamos esperando que o Irã responda às propostas substanciais que (Ashton) fez na sua carta de outubro", disse um porta-voz dela. O Irã não respondeu oficialmente.

A última tentativa de negociação do Irã com o sexteto de potências foi abandonada no ano passado porque não havia acordo nem sobre a pauta. Em contatos esporádicos nos últimos cinco anos, o Irã insiste que a pauta das discussões deve abranger amplas questões internacionais de segurança, e não só o seu programa nuclear.

Os EUA e seus aliados suspeitam que o Irã esteja tentando desenvolver armas nucleares, algo que Teerã nega, insistindo que seu objetivo é apenas gerar energia para fins pacíficos.

O Irã se prepara para receber nos próximos dias uma delegação de alto escalão da agência nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU), e no dia 23 chanceleres da UE devem adotar formalmente um embargo gradual ao petróleo iraniano.

No final de 2011, os EUA impuseram sanções a instituições que negociem com o Banco Central iraniano, o que na prática impossibilita a compra de petróleo iraniano por muitos países.

(Reportagem de Tulay Karadeniz, em Ancara; de Chris Buckley, em Pequim; de Alexei Anishchuk, em Moscou; de Justyna Pawlak, em Bruxelas; de Allyn Fisher-Ilan, em Jerusalém; de Fredrik Dahl, em Viena; e de Estelle Shirbon, em Londres)

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