Irã diz estar pronto para negociar sobre incentivos nucleares

O Irã afirmou na quinta-feiraestar pronto para negociar a respeito de um novo pacote deincentivos econômicos apresentado por grandes potênciasmundiais para convencê-lo a abrir mão da parte mais delicada deseu programa nuclear. O ministro iraniano das Relações Exteriores, ManouchehrMottaki, disse em uma entrevista coletiva realizada na capitalde Uganda, Campala, que as seis potências responsáveis pelopacote -- EUA, Rússia, China, Grã-Bretanha, França e Alemanha-- também deveriam analisar com seriedade as propostaselaboradas pelo próprio Irã. "Nós lhes informamos sobre nossa disposição para negociar.O pacote apresentado pelos P5+1 (os cinco membros do Conselhode Segurança da Organização das Nações Unidas, ONU, mais aAlemanha) vem sendo avaliado e, no momento apropriado, ogoverno iraniano vai se manifestar a respeito", afirmouMottaki. "Também dispomos do que descrevemos como sendo o pacoteiraniano, o qual enviamos aos países do P5+1 e que esperamosseja avaliado por eles enquanto nós avaliamos o pacote deles",acrescentou o chanceler, que está em Uganda para participar deum encontro da Organização da Conferência Islâmica. O principal diplomata da União Européia (UE), JavierSolana, apresentou ao Irã, no sábado, o novo pacote debenefícios econômicos elaborado para convencer esse país alimitar suas atividades no setor nuclear. Segundo Solana, osiranianos precisam interromper o enriquecimento de urânio a fimde realizar negociações sobre aquelas medidas. Na terça-feira, o Irã disse que o enriquecimento de urâniorepresentava sua "margem de segurança" e que continuaria comessa atividade apesar dos novos incentivos oferecidos. O pacote atual resulta da revisão de um outro já rejeitadopelo país islâmico em 2006. Algumas potências ocidentais, quesuspeitam da possibilidade de o Irã usar seu programa nuclearcivil como disfarce para desenvolver bombas atômicas, disseramaos iranianos que eles podem sofrer mais sanções se rejeitaremessa nova oferta. Na qualidade de signatário do Tratado de Não-ProliferaçãoNuclear, o Irã insiste ter o direito de dominar o ciclocompleto de produção de combustíveis para usinas atômicas, oque inclui o enriquecimento de urânio. O país argumenta quepretende lançar mão da energia nuclear a fim de gerareletricidade. Mottaki afirmou que os EUA deveriam parar de dar lições aoIrã a respeito de suas ambições atômicas. "Os EUA não estão em condição de ficarem satisfeitos ouinsatisfeitos com nossas atividades nucleares pacíficas. Elessão um país que testa, atualmente, sua quinta geração de bombasnucleares", disse. "Os EUA deveriam limitar-se a falar sobre o que ocorredentro de suas fronteiras e deveriam parar de interferir emoutras nações. Chegaram ao fim os tempos nos quais se davamordens a outros países. Continuaremos, com certeza, a protegeros nossos direitos," acrescentou. Entre os incentivos constantes do novo pacote incluem-se achance de o Irã desenvolver um programa nuclear civil comreatores de água leve -- considerados mais difíceis de seremdesviados para a produção de bombas atômicas -- e garantias deque receberá de outros países combustível para essasinstalações. O pacote oferece ainda benefícios comerciais, entre osquais a possibilidade de o Irã comprar aviões civis doOcidente. (Reportagem de Frank Nyakairu e Wangui Kanina)

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