Irã diz não acreditar em ataque de Israel ou dos EUA

O Irã afirmou na sexta-feira quenão prevê ser atacado por Israel ou pelos Estados Unidos devidoà antiga disputa em torno do programa nuclear iraniano. Diplomatas do país islâmico e de potências mundiais vão sereunir em Genebra, no sábado, a fim de discutir a questãoatômica. O governo norte-americano participará de um encontrodo tipo pela primeira vez, marcando uma notável mudança depostura e alimentando novas esperanças. O principal negociador do Irã para essa área, Saeed Jalili,ao desembarcar na cidade suíça, na sexta-feira, afirmou estarlevando uma postura positiva para as conversações. O ministro iraniano das Relações Exteriores, ManouchehrMottaki, disse não prever que seu país seja atacado. Os boatossobre uma investida contra as instalações nucleares do Irãintensificaram-se depois de Israel ter realizado exercíciosaéreos no mês passado. "A possibilidade de um ataque do tipo (vindo de Israel oudos EUA) é quase nula", afirmou Mottaki, por meio de umtradutor, em entrevista concedida à rede turca NTV, durante umavisita à Turquia. Em mais um indício de um eventual avanço, o chanceler tinhaaventado pouco antes a possibilidade de haver uma negociaçãosobre a retomada de relações diplomáticas entre o Irã e os EUA. O governo norte-americano rompeu seus laços com osiranianos em 1980, durante uma crise de reféns em Teerã. "Acho que pode haver negociações tanto sobre a abertura deum escritório de interesses dos EUA no Irã quanto sobre arealização de vôos diretos entre os dois países", afirmouMottaki. O chanceler não disse quando ou de que forma ocorreriamtais negociações. CLIMA OTIMISTA Jalili mostrou-se confiante a respeito das conversações emGenebra. "O Irã ingressará nas negociações nucleares com intençõespositivas", disse, ao desembarcar na cidade suíça. Questionado sobre a presença dos EUA na reunião, onegociador respondeu: "O mais importante são as intençõesdeles." No encontro, William Burns, um importante diplomatanorte-americano, vai se juntar a seu parceiro da União Européia(UE), Javier Solana (chefe da área de política externa dobloco), e a autoridades da Grã-Bretanha, da França, daAlemanha, da Rússia e da China. As potências mundiais buscam uma resposta mais detalhada doIrã a respeito da oferta de incentivos financeiros ediplomáticos em troca de o país islâmico congelar seu programanuclear, programa esse que, segundo suspeitam governos doOcidente, poderia ser uma fachada para a fabricação de bombasatômicas. O Irã diz que seu programa visa única eexclusivamente à geração de eletricidade. Uma importante autoridade iraniana afirmou que o encontrode Genebra era determinante para determinar se a diplomaciaconseguiria solucionar o atual impasse. "Esse contatos vão esclarecer o destino das negociações.Depois do encontro, ou as negociação vão continuar ou vão pararpor completo", disse a autoridade à Reuters. No entanto, quando questionada sobre se o Irã estava prontopara deixar de expandir seu programa nuclear em troca de oConselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU)congelar as manobras para adotar novas sanções, a autoridaderespondeu: "De jeito nenhum." Até agora, a ONU impôs três pacotes de sanção contra o Irãpor conta de seu programa nuclear. (Reportagem adicional de Zerin Elci e Humeyra Pamuk emAncara, Zahra Hosseinian em Teerã)

PARISA HAFEZI, REUTERS

18 de julho de 2008 | 16h02

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