Irã diz que aceita acordo nuclear, mas quer 'mudanças'

Segundo TV estatal, equipe de negociação apresentará sua resposta sobre proposta da ONU nas próximas 48h

estadao.com.br,

27 de outubro de 2009 | 08h39

O Irã aceitará uma proposta sobre enriquecimento de urânio apoiada pelas Nações Unidas, mas quer "mudanças muito importantes" no acordo, segundo a emissora estatal Al-Alam. Nesta terça-feira, 27, a televisão citou uma fonte próxima da equipe de negociação nuclear do país, afirmando que Teerã oferecerá sua resposta nas próximas "48 horas". Outro canal, a Press TV, afirmou que a posição sobre o acordo será dada na sexta-feira, 30.

 

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Pela proposta, o Irã enviaria 75% das suas reservas de urânio de baixo enriquecimento para a Rússia (quase 1.200 quilos) no período de um ano, para que elas sejam enriquecidas a 20%, e, posteriormente, enviadas de volta ao Irã como combustível nuclear. Com isso, Teerã poderia produzir energia em suas usinas ou usar esse material nuclear para fins medicinais sem levar adiante seus projetos de enriquecimento de urânio - processo que também permite a construção de bombas atômicas.Teerã garante ter apenas fins pacíficos, mas países como EUA e Israel afirmam que o país também deseja produzir armas nucleares em segredo.

 

Segundo a Press TV, o Irã é contra enviar a maior parte de seu urânio com baixo nível de enriquecimento ao exterior para ser processado de uma vez. Um alto funcionario do governo iraniano sugeriu, na segunda-feira, que material seja enviado gradualmente para enriquecimento no exterior.

 

A proposta já recebeu apoio de Estados Unidos, França e Rússia. "O Irã aceitará a estrutura ampla do acordo, mas quer mudanças muito importantes nele", afirma o relato da emissora, sem mais detalhes. A agência de notícias Fars confirmou que o país responderá à proposta em 2 dias, citando uma fonte que pediu anonimato.

 

"O Irã está perdendo tempo porque agora é hora de dialogar", afirmou nesta terça-feira o ministro de Relações Exteriores francês, Bernard Kouchner. "Um dia, será muito tarde."

 

O Conselho de Segurança da ONU já impôs três rodadas de sanções ao país persa por seu programa nuclear, mas o Irã resiste a interrompê-lo, afirmando que tem o direito de manter um programa nuclear pacífico.

 

Ahmadinejad

 

Nesta terça-feira, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou que seu país vai manter seu programa nuclear, a primeira vez que ele falou sobre o assunto desde que as negociações tiveram início, na semana passada. Ahmadinejad não se referiu diretamente ao acordo para o enriquecimento de urânio iraniano, mas suas declarações podem indicar que o país está endurecendo sua postura em relação à proposta da ONU. Espera-se que Teerã dê sua resposta sobre o plano ainda nesta semana.

 

Ahmadinejad atacou Israel, país que, acredita-se, tenha armas nucleares. "Quando um regime ilegal tem armas atômicas é impossível negar a outros o direito de produzir energia atômica de forma pacífica", disse Ahmadinejad durante reunião com o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

 

As declarações de Ahmadinejad foram feitas enquanto inspetores da ONU visitam uma instalação de enriquecimento de urânio perto da cidade sagrada de Qom, cuja existência foi revelada em setembro. Inspetores da ONU iniciaram a vista de três dias ao local no domingo. Eles recolherão amostras do solo para análise, mas os resultados não devem ser divulgados até que deixem o Irã, ainda nesta semana.

 

O governo iraniano concordou com a realização da inspeção durante um encontro com os Estados Unidos e outras potências mundiais no início de outubro em Genebra, ocasião na qual a ideia do envio do urânio iraniano para a Rússia para maior enriquecimento foi levantada pela primeira vez.

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