Irã diz que atacará EUA e Tel Aviv se sofrer ofensiva

Guarda Revolucionária faz manobras no Golfo; presidente iraniano rejeita guerra com americanos e Israel

Efe e Associated Press,

08 de julho de 2008 | 09h00

A Guarda Revolucionária iraniana iniciou exercícios no Golfo Pérsico e enviou um alerta de que as forças americanas e Tel Aviv, em Israel, serão os primeiros alvos na região se o Irã for atacado. Um auxiliar do aiatolá Ali Khamenei disse nesta terça-feira, 8, que, caso o Irã seja atacado por causa de seu programa nuclear, o país vai retaliar com um ataque a Israel e a navios americanos no Golfo Pérsico. A declaração foi divulgada no mesmo dia em que  o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou que não vê a possibilidade de uma guerra entre seu país e os Estados Unidos ou Israel, aos quais acusou de fazer "propaganda e guerra psicológica" contra a República Islâmica.   Veja também: Ahmadinejad não vê possibilidade de guerra com EUA ou Israel G8 exige que o Irã suspenda o enriquecimento de urânio Tesouro dos EUA aplica sanções contra 4 empresas iranianas   As manobras começaram na segunda-feira, um dia após as iniciadas por unidades dos EUA, Reino Unido e Barein na via marítima, e em meio à tensão na região causada pelas ameaças de Teerã de bloquear o Estreito de Ormuz caso o Irã seja atacado. Os exercícios dos Guardiães têm como principal objetivo "aumentar a capacidade defensiva e a preparação das unidades marítimas e de mísseis", disseram fontes militares.   O site da Guarda iraniana cita Ali Shirazi, um assessor do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. Shirazi afirma que Tel Aviv e navios e americanos serão os primeiros alvos se o Irã for atacado. "O regime sionista está pressionando a Casa Branca a promover um ataque contra o Irã". "O primeiro tiro americano no Irã daria início a um incêndio nos interesses vitais dos Estados Unidos no mundo", disse o também clérigo Ali Shirazi. Não está claro se quando Shirazi mencionou Tel Aviv ele se referiu apenas à cidade ou a Israel como um todo, já que o Irã não reconhece o país.   "Garanto que não haverá nenhuma guerra no futuro", disse o presidente iraniano em Kuala Lumpur, onde participa de uma cúpula de países islâmicos em desenvolvimento. Sobre as reiteradas chamadas à destruição do Estado judeu, Ahmadinejad previu que o regime israelense entrará em colapso, sem necessidade de intervenção por parte do Irã. Ele pediu também ao próximo presidente dos Estados Unidos que conserte a prejudicada imagem internacional de seu país através do respeito à justiça e aos direitos humanos. Ahmadinejad disse que o atual governo americano, liderado por George W. Bush, "perdeu seu prestígio e o da América (EUA) aos olhos dos outros povos do mundo".   Vários oficiais da Guarda iraniana, uma força considerada a coluna vertebral do regime de Teerã, advertiram nos últimos meses que possuem diferentes tipos de mísseis capazes de atingir todas as bases do "inimigo" na região. O comandante da Guarda, Ali Jaafari, foi mais claro quando ameaçou há uma semana bloquear o Estreito de Ormuz, estratégico para a navegação no Golfo, caso as instalações nucleares de seu país sejam atacadas por Israel ou pelos EUA, o que os militares americanos na região disseram que não permitirão. Ormuz, por onde sai 40% do petróleo que cobre a demanda mundial, está na entrada do Golfo Pérsico, entre o Irã e Omã.     Especulação   Segundo a BBC, a especulação sobre uma possível ação contra o Irã aumentou no mês passado quando surgiu a notícia de que Israel realizou um exercício militar na Grécia simulando um ataque. O governo americano afirma desejar uma solução diplomática para a disputa, mas não descartou usar a força. Entretanto, na semana passada o chefe do Estado-Maior americano, a maior autoridade militar dos EUA disse que a abertura de uma terceira frente de combate no Oriente Médio, após o Iraque e o Afeganistão seria "extremamente estressante" para as forças armadas do país. Os Estados Unidos e outras nações ocidentais acusam o Irã de usar seu programa nuclear como fachada para a fabricação de armas, mas o governo iraniano rejeita as acusações, dizendo que o programa tem fins pacíficos.   Analistas acreditam que, apesar de possuir um poderio bélico bastante superior ao iraniano, os EUA dificilmente impediriam uma retaliação iraniana, se o país usar sua influência em ataques no Iraque ou em outros lugares. Os Estados Unidos acusam o Irã de fornecer apoio e armas para milícias xiitas no Iraque.   Especialistas dizem que o Irã pode também prejudicar os esforços dos EUA para estabilizar o Afeganistão. Eles dizem que, apesar de estarem em pólos ideológicos opostos, o Irã e o talebã poderiam fazer uma aliança temporária para atingir interesses americanos em solo afegão. Grupos armados ligados ao Irã como o Hezbollah no Líbano e o Hamas na Faixa de Gaza poderiam ainda lançar ataques contra alvos israelenses ou americanos.   Matéria atualizada às 10h55.

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