Irã diz que enriquecerá urânio se negociações fracassarem

País se reúne nesta segunda-feira com o órgão nuclear da ONU, os Estados Unidos, a Rússia e a França

Parisha Hafezi, da Reuters,

19 de outubro de 2009 | 09h05

O Irã não hesitará em produzir urânio enriquecido numa taxa mais elevada que a atual em seu território caso fracassem as negociações que serão realizadas nesta segunda-feira, 19, entre o país, o órgão nuclear da ONU, os Estados Unidos, a Rússia e a França, disse uma autoridade iraniana.

"Se as negociações não trouxerem os resultados desejados pelo Irã vamos começar a fazer urânio enriquecido em 19,7% nós mesmos", disse o porta-voz da Organização de Energia Atômica do Irã, Ali Shirzadian, horas antes do início das negociações.

O urânio enriquecido pode ser usado como combustível para reatores nucleares ou numa bomba, caso seja enriquecido numa taxa elevada.

O Ocidente teme que o programa nuclear do Irã seja um disfarce para a fabricação de uma bomba. O Irã alega que precisa da tecnologia nuclear para gerar energia.

O órgão nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU) realizará um encontro para discutir os detalhes do envio de urânio do Irã enriquecido em 3,5% para ser processado no exterior e enviado novamente ao Irã.

O tema foi acordado "em princípio" entre o Irã e potências mundiais no dia 1º de outubro em Genebra. Mas as autoridades iranianas não mostraram até agora sinais de flexibilidade em sua disputa com o Ocidente.

As potências mundiais querem chegar a um acordo com o Irã em Viena para processar o urânio do país no exterior, para garantir que ele não seja usado numa bomba.

O Conselho de Segurança da ONU impôs três rodadas de sanções ao Irã pela recusa do país em parar as atividades de enriquecimento de urânio.

Shirzadian disse que o Irã não tem intenção de parar o enriquecimento de urânio.

"Comprar combustível nuclear do exterior não significa que o Irã vai parar seus trabalhos de enriquecimento dentro do país", disse Shirzadian.

"As atividades iranianas para produzir urânio enriquecido em 5% continuarão... nunca abandonaremos nosso direito de enriquecer urânio."

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