Irã diz que enriquecimento segue se instalações forem atacadas

O Irã alertou na quinta-feira, véspera de uma reunião com seis potências mundiais, que manterá seu programa de enriquecimento de urânio mesmo se sofrer um ataque às suas instalações nucleares.

PARISA HAFEZI, REUTERS

20 de janeiro de 2011 | 19h00

Os EUA dizem não esperar "grandes avanços" na retomada das negociações com o Irã, marcadas para sexta-feira e sábado em Istambul, na Turquia. Washington e seus aliados acusam Teerã de tentar desenvolver armas nucleares, o que a República Islâmica nega.

Negociadores iranianos disseram à Reuters que não terão nenhuma nova oferta a fazer com relação à possibilidade de intercâmbio de material nuclear, mas que estão dispostos a discutir um acordo com base nos termos oferecidos no ano passado, sob mediação do Brasil e da Turquia.

Por essa proposta, o Irã entregaria urânio baixamente enriquecido e receberia em troca combustível para um reator de pesquisas médicas. Teoricamente, isso eliminaria a necessidade de o Irã enriquecer seu próprio urânio, algo que atenuaria as tensões, mas não resolveria as questões centrais. O Ocidente acabou por considerar a iniciativa insuficiente.

Em Washington, um porta-voz do Departamento de Estado disse que os EUA estariam dispostos a retomar as discussões sobre o intercâmbio de material nuclear.

As seis potências envolvidas nas negociações são EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia, China e Alemanha. Uma reunião no mês passado em Genebra terminou seu acordo, após um hiato de mais de um ano nas discussões.

Em visita na quinta-feira a Moscou, o embaixador do Irã junto à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), Ali Asghar Soltanieh, adotou um tom desafiador, dizendo que o Irã continuará enriquecendo urânio mesmo se suas instalações sofrerem um ataque militar, opção que os EUA e seu aliado Israel não descartam, em caso de fracasso da diplomacia.

"Providenciamos outra instalação em Fordow, perto de Qom", disse Soltanieh. "Ela é, por assim dizer, uma instalação reserva, para que, se um local for atacado, possamos continuar o processo de enriquecimento."

A principal usina iraniana de enriquecimento fica em Natanz. Fordow, uma usina muito menor, que o governo manteve durante dois anos ocultada dos inspetores da AIEA, está sendo construída dentro de um "bunker" numa montanha.

Em Istambul, o chanceler russo, Sergei Lavrov, disse que as discussões deveriam abordar a perspectiva de redução das sanções econômicas ao Irã caso o país se torne mais aberto às inspeções internacionais.

(Reportagem adicional de Erika Solomon, em Dubai; de Ayla Jean Yackley, em Istambul; de Thomas Grove, em Moscou; de Fredrik Dahl, em Viena; e de Arshad Mohammed, em Washington)

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