Irã diz que fez avanço nuclear à véspera de negociação

O Irã anunciou o que chamou de importante passo adiante no seu programa nuclear no domingo, mostrando que está determinado a fazê-lo avançar apenas um dia antes do início de negociações em Genebra com as potências mundiais, que temem que Teerã pode estar tentando criar bombas atômicas.

PARISA HAFEZI E HASEHM KALANTARI, REUTERS

05 de dezembro de 2010 | 16h12

O chefe da área de energia nuclear Ali Akbar Salehi disse que o Irã usaria urânio concentrado produzido localmente pela primeira vez numa usina nuclear, reduzindo a dependência do país de urânio importado.

"Isso quer dizer que o Irã se torna auto-suficiente no ciclo inteiro do combustível (nucelar)," disse Salehi.

Analistas ocidentais dizem que às vezes o Irã exagera suas conquistas tecnológicas para ter mais poder de barganha em negociações.

O anúncio parece ter sido feito de modo a enviar uma mensagem para o Ocidente de que o Irã não vai desistir de seu programa nuclear em uma rodada de negociações que acontecerá em Genebra nos dias 6 e 7 de dezembro. Na reunião, seis potências mundiais estão buscando prova de que as ambições nucleares do Irã são pacíficas. Salehi disse numa coletiva de imprensa que o anúncio significa que: "Vamos participar das negociações com força e poder." Ele insistiu que as negociações em Genebra eram para o benefício de outros países, não do Irã.

"Queremos criar uma saída elegante do impasse político para aqueles que estão nos pressionando," disse Salehi.

O Irã diz que busca desenvolver capacidade nuclear para utilizar na geração de energia, mas o Ocidente teme que o país esteja tentando ganhar a capacidade de produzir bombas atômicas e tem aumentado as sanções ao país islâmico.

Diplomatas ocidentais dizem que as sanções estão afetando a economia iraniana, apesar de os líderes iranianos negarem isso. O Ocidente espera persuadir o Irã a entrar em negociações sérias sobre seu programa nuclear.

Potências ocidentais querem que o Irã suspenda as atividades de enriquecimento de urânio, que pode gerar combustível para uma usinas mas, se for mais refinado, também pode produzir material para uma bomba nuclear.

O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad já disse que o programa de enriquecimento de urânio do Irã não será discutido em Genebra, apesar de ser essa a principal preocupação dos seis outros países participando da reunião, Estados Unidos, Rússia, China, França, Alemanha e Inglaterra.

Ao chegar a Genebra, o principal diplomata iraniano que participará das negociações, Saeed Jalili, foi perguntado se ele estava otimista sobre as negociações. Sua resposta: "Tudo depende da atitude das outras partes."

Tudo o que sabemos sobre:
IRAURANIOAUTOSUFICIENTE*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.