Irã diz que não aceitará restrições em seu programa nuclear

Na quarta-feira, chefe da AIEA havia anunciado que Teerã enviaria urânio para ser enriquecido na Rússia

Efe,

22 de outubro de 2009 | 15h00

O chefe da agência nuclear iraniana, Ali Akbar Salehi, disse nesta quinta-feira, 22, que o país não aceitará nenhuma restrição sobre enriquecimento de urânio.

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"Insisto que como qualquer outro país temos o direito de adquirir tecnologia para produção de combustível nuclear dentro do marco do Tratado para Não Proliferação de Armas Nucleares", disse Salehi.

De acordo com Salehi, o Irã não precisa enriquecer urânio a mais de 5%. O país planeja produzir 30 toneladas de combustível nuclear por ano. "Devido ao tipo de reatores que temos não existe razão nenhuma para enriquecermos o urânio mais do que 4% ou 5%", disse Salehi. Urânio enriquecido a altas porcentagens pode ser usado em armas nucleares.

Na quarta-feira, o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o egípcio Mohamed ElBaradei, anunciou ter chegado ao esboço de um acordo entre Irã e EUA, Rússia e França, que, em tese, diminui os riscos de o Irã usar seu programa nuclear para produzir armas atômicas.

Embora a delegação iraniana tenha concordado com os termos da proposta, sua entrada em vigor depende ainda da aprovação final por Washington, Paris, Moscou e Teerã, o que deve ocorrer até sexta-feira. O principal representante iraniano, Ali Ashgar Soltanieh, é considerado um técnico, sem condições de firmar compromissos políticos de alto nível. O diálogo é visto como a primeira tentativa séria de engajamento diplomático entre americanos e iranianos nos últimos 30 anos.

O acordo preliminar, fechado após três dias de negociações em Viena, prevê o envio de 75% das reservas de urânio de baixo enriquecimento do Irã para a Rússia (quase 1.200 quilos), no período de um ano, para que seja enriquecido e convertido em combustível para um reator usado para finalidades médicas em Teerã. Tecnicamente, a conversão do material radioativo na Rússia dificultaria seu uso militar.

Mais cedo, o vice-presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Reza Bahonnar, disse n que o país havia rejeitado o acordo. O comentário foi a primeira reação pública ao acordo em Teerã. No entanto, o parlamentar não fala pelo governo, que é quem decide sobre esta questão.

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