Irã diz que não realizará mais negociações 'condescendentes'

O Irã comunicou a grandespotências mundiais que não mais participará de negociações"condescendentes" cujo objetivo seria acabar com seu programanuclear, mas disse que deseja negociar um amplo acordo de paz ede segurança, revelou uma carta do governo iraniano que veio apúblico na terça-feira. A carta do dia 4 de julho, publicada no site de umsemanário francês e confirmada como autêntica por diplomatas,oferecia a resposta do Irã a um novo pacote de incentivoselaborado por seis potências mundiais a fim de convencer o paísislâmico a abrir mão de seu programa de enriquecimento deurânio. Essas potências suspeitam que os iranianos utilizarão oprograma para desenvolver armas atômicas. O Irã nega a acusaçãoe diz que seu programa visa exclusivamente à produção deeletricidade. A carta do governo iraniano ignorou a exigência feita pelaspotências envolvidas -- EUA, Grã-Bretanha, França, Alemanha,Rússia e China -- sobre a suspensão dos esforços deenriquecimento de urânio, mas deixava claro que o país queriadar início a negociações. "Não pretendemos mudar de caminho", afirmou a versão eminglês da carta assinada pelo ministro iraniano das RelaçõesExteriores, Manouchehr Mottaki, ao referir-se aos esforços dopaís para dominar a tecnologia de produção de combustível parausinas nucleares. O Irã afirma que seu programa permitirá aumentar aexportação de petróleo. Mas, em virtude dele, o Conselho deSegurança da Organização das Nações Unidas (ONU) já impôs trêspacotes de sanções contra o país. "Chegaram ao fim os tempos de negociar desde uma posiçãocondescendente de desigualdade", escreveu Mottaki, citando"nossa falta de confiança (devido) ao comportamento dúbio dealgumas grandes potências" ainda afeitas a uma postura mentalde tipo colonialista. "O mundo mudou. ... O povo do Irã elaborou seus planos parao avanço do país sem pedir ajuda a terceiros", afirmou a carta. PROPOSTA PARA AMENIZAR IMPASSE O chanceler não se referiu aos incentivos constantes dopacote e nem à proposta para amenizar o impasse atual. Segundoessa proposta, o Irã congelaria o enriquecimento de urâniodurante seis semanas em troca da paralisação dos esforços paralançar novas sanções. Nesse meio tempo, seriam realizadas aschamadas "pré-negociações". Mottaki repetiu a opinião do governo iraniano sobre serem"ilegal" as pressões feitas em cima do país já que osinspetores da ONU nunca encontraram provas de que o programadele estaria sendo desviado para a fabricação de bombas. A carta do chanceler, no entanto, apontou para "váriassemelhanças" entre uma proposta feita em maio pelo Irã comvistas a abrir um diálogo amplo -- proposta essa, no entanto,que também descartava a suspensão do enriquecimento de urânio-- e a oferta de incentivos das potências mundiais. Segundo o país, negociações mais amplas poderiam seriniciadas a partir dessa base. Apenas uma postura mais abrangente como essa, argumentouMottaki, poderia garantir uma paz duradoura no Oriente Médio epara além dele. As potências mundiais autorizaram o chefe da área depolítica externa da União Européia (UE), Javier Solana, aretomar as negociações com o Irã no sábado, em Genebra, a fimde identificar algum ponto de flexibilidade da parte dosiranianos. "O texto da resposta do Irã correspondeu a nossasexpectativas menos ambiciosas. Ele não serve para muita coisa",afirmou um diplomata europeu. "Essa seria uma carta voltada antes para a opinião públicainterna. Eles deveriam dizer coisas diferentes para uma platéiadiferente." (Reportagem adicional de Crispian Balmer em Paris)

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