Irã diz que respondeu acusações nucleares 'e caso encerrado'

O Irã afirmou na quinta-feira terfornecido aos investigadores da Agência Internacional deEnergia Atômica (AIEA) mais de 200 páginas com respostas aperguntas sobre relatórios de serviços de inteligência dandoconta de que o país pesquisou secretamente formas de fabricarbombas nucleares e declarou o assunto "encerrado". No entanto, o enviado do país junto à AIEA (uma entidadeligada à Organização das Nações Unidas, ONU) disse que ogoverno iraniano atenderia a qualquer pedido de esclarecimentodepois de o chefe da agência ter exigido "uma divulgaçãocompleta de informações", um apelo confirmado pelo Quadro deDiretores da AIEA em encontro realizado nesta semana. "Nós fornecemos mais de 200 páginas de explicações edocumentos para a agência no dia 23 de maio. Não deixamosnenhuma pergunta por ser respondida. Cumprimos nossa obrigação.Esse assunto está encerrado", disse Ali Ashgar Soltanieh, oembaixador iraniano junto à AIEA, após o encerramento de umencontro que durou quatro dias. A repórteres, porém, Soltanieh afirmou: "Alguns deles (dosdocumentos) estão sendo avaliados e analisados pela agência. Seeles tiverem qualquer dúvida, nós as responderemos.Continuaremos com os esforços para esclarecer as ambiguidades.Essa é a nossa política". Potências ocidentais suspeitam que o Irã pretendedesenvolver bombas atômicas. O país, rico em petróleo, afirmaque seu programa nuclear visa apenas a geração de eletricidadede forma a permitir-lhe ampliar o volume de combustívelexportado. No entanto, o Irã encontra-se sob sanções da ONU por terescondido seu programa nuclear da AIEA antes, por não teraceitado ampliar o poder dos inspetores da agência dentro deseu território e por recusar-se a suspender o enriquecimento deurânio em troca de alguns benefícios. A AIEA vem pressionando o país islâmico a fim de obterrespostas para as acusações, feitas principalmente por serviçosde inteligência ocidentais, de que o Irã pesquisou secretamenteformas de desenvolver armas nucleares. O país considerou infundadas, fraudadas e irrelevantesessas acusações, fornecidas principalmente pelos EUA. As autoridades da AIEA, porém, dizem que o Irã aindaprecisa corroborar suas alegações com provas convincentes. Um relatório da agência do dia 26 de maio disse que o Irãparecia estar escondendo informações necessárias para explicaros indícios ligando entre si os programas de enriquecimento deurânio, de testes com explosivos potentes e de modificações nobico de um míssil para adaptá-lo a uma ogiva nuclear. Soltanieh escarneceu da documentação, grande parte delaobtida de um laptop tirado do país por um desertor iraniano.Segundo o embaixador, os documentos careciam da designação"secretos" e não apresentavam o cabeçalho oficial do Ministérioda Defesa do Irã. "É possível imaginar qualquer país realizando atividadesmilitares com material nuclear sem classificar a documentaçãode confidencial ou altamente secreta?", perguntou. O embaixador reafirmou a promessa do Irã de nunca abandonarseu direito a dominar a tecnologia nuclear, mas também disseque o programa continuaria a ser monitorado pela AIEA, que, naopinião dele, teria desacreditado as suspeitas de que osiranianos tentassem desenvolver armas atômicas. Gregory Schulte, embaixador norte-americano junto àagência, mostrou-se pouco esperançoso de que haja qualqueravanço a respeito da questão neste ano. "Independente de quemassuma a Presidência dos EUA no próximo dia 21 de janeiro, essapessoa enfrentará esse problema", afirmou. (Reportagem de Mark Heinrich, em Viena)

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