Irã diz que sanções da ONU não afetarão programa nuclear

Conselho de Segurança ameaça estabelecer novas restrições durante encontro nesta sexta-feira nos EUA

Agências internacionais,

19 de setembro de 2007 | 10h40

O porta-voz do governo iraniano, Gholam-Hossein Elham, assegurou que qualquer resolução que a ONU aprove contra o Irã não afetará as atividades nucleares do país, segundo informou a agência oficial de notícias iraniana, Irna, nesta quarta-feira, 19.   Veja também:  Rice critica Agência Nuclear e pede medidas contra o Irã "Não acho que outros países estejam de acordo com a resolução, a qual não afetará as atividades nucleares legais do Irã", afirmou Elham em entrevista coletiva. A declaração iraniana desta quarta foi uma resposta ao porta-voz do Departamento de Estado americano, Sean McCormack, que lembrou que na sexta-feira será realizada uma reunião em Washington com representantes dos cinco membros do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha. O grupo se reúne para discutir a adoção de novas sanções ao Irã se o país não interromper o seu programa nuclear.   O porta-voz iraniano ainda classificou as recentes declarações do ministro de Relações Exteriores francês, Bernard Kouchner, como "não-profissionais". "Não levamos a sério as declarações do ministro de Exteriores francês, que também podem prejudicar o crédito do povo da França". Kouchner alertou que, caso o Irã insistisse em mater o seu programa nuclear, os Estados ocidentais deveriam se preparar "para o pior, que é a guerra". Ofensiva militar O ministro da Defesa da França, Hervé Morin, garantiu nesta quarta que o seu país não prepara planos militares contra o Irã. "Ninguém pode pensar nem por um momento que estejamos imaginando e preparando planos militares com relação ao Irã". Ele ainda chamou de "fantasias" as especulações sobre o tema. Morin explicou que, quando Kouchner levantou a possibilidade de uma guerra, o chanceler pretendia apenas alertar para a necessidade do mundo fazer o possível "para evitar uma grave crise na região" e que, portanto, seria preciso "conversar" para levar os iranianos à mesa de negociações. A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, reforçou a necessidade de uma "solução diplomática"  para o impasse nuclear. A ONU também insistiu no "diálogo pacífico" e pediu que o Irã atue com transparência. Durante visita ao Oriente Médio, a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, repreendeu a Agência de Vigilância Nuclear da ONU (AIEA) e cobrou esforços diplomáticos que coloquem fim aos planos atômicos de Teerã. "A AIEA não faz parte da diplomacia. A AIEA é uma agência técnica que tem uma junta de diretores da qual os Estados Unidos fazem parte", disse. Apesar de ter reiterado a postura dos EUA de que "todas as opções" estão sobre a mesa, uma referência a uma possível ação militar contra Teerã, Rice buscou aliviar as preocupações diante dos rumores de uma guerra. "Nós cremos que o caminho diplomático pode funcionar, mas tem que funcionar com um conjunto de incentivos e de regras", declarou Rice. Os Estados Unidos intensificaram seus contatos com os outros quatro membros permanentes do Conselho de Segurança (China, Rússia, Reino Unido e França) e mais a Alemanha. Os seis países trabalham na elaboração de uma resolução que contenha sanções caso o Irã não abandone o seu programa nuclear.

Tudo o que sabemos sobre:
IrãFrançaguerraprograma nuclear

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.