Irã diz que suspeito de complô nos EUA é militante antigoverno

O Irã se queixou junto às Nações Unidas de uma acusação feita pelos Estados Unidos de que teria tentado assassinar um diplomata saudita, dizendo que um dos membros do suposto complô descrito por Washington como sendo um militar iraniano é na verdade membro de um grupo rebelde antigoverno.

ROBIN POMEROY, REUTERS

05 de novembro de 2011 | 16h44

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Ali Akbar Salehi, disse neste sábado que o complô era parte de uma estratégia norte-americana para difamar Teerã, um processo que, segundo afirmou, continuaria na próxima semana, quando a agência nuclear da ONU deve publicar um relatório que, de acordo com diplomatas ocidentais, vai conter novas evidências sobre o programa nuclear do Irã.

A reclamação feita ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, devolve a acusação norte-americana de que Teerã apoia o terrorismo, disse Salehi.

"Essa carta contém nossa queixa sobre os complôs dos Estados Unidos e as informações confiáveis que temos do envolvimento norte-americano nestes complôs", disse ele em uma coletiva de imprensa transmitida ao vivo no canal de língua inglesa Press TV.

Em seu site, a Press TV dizia que, segundo a carta, um suspeito --o qual promotores norte-americanos identificaram como sendo um oficial do exército iraniano-- era, na verdade, membro de um grupo rebelde iraniano, a Organização Mujahideen Khalq (MKO, na sigla em inglês).

Um dos dois homens acusados de planejar o assassinato do embaixador saudita em Washington, o iraniano-americano Manssor Arbabsiar, de 56 anos, alegou inocência em audiência em um tribunal de Nova York no mês passado.

O segundo acusado, Gholam Shakuri, continua foragido e autoridades norte-americanas dizem que ele é membro da Força Quds, braço da Guarda Revolucionária do Irã, que teria aprovado o plano de contratar bandidos mexicanos para assassinar o embaixador saudita Adel al-Jubeir.

A agência de notícias semi-oficial Mehr divulgou em 17 de outubro que Shakuri era membro do MKO, também conhecido como Organização do Irã (PMOI), sediado no Iraque e listado como grupo terrorista pelos Estados Unidos.

Citando "fontes informadas", a Mehr disse que Shakuri viajou para Washington e para a sede do MKO em Camp Ashraf no Iraque.

As autoridades iranianas não comentaram a notícia de que a Interpol havia descoberto a verdadeira identidade de Shakuri, mas a Press TV disse no sábado que ela estava na carta entregue a Ban.

Um grupo ligado ao PMOI, o Conselho Nacional de Resistência do Irã (NCRI), disse que a acusação iraniana era "absurda".

"Recorrendo a essas mentiras, o regime clerical tenta reduzir suas consequências políticas e legais na arena regional e internacional",l disse Mohammad Mohaddessin do NCRI à Reuters em um comunicado.

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