Irã diz ter iniciado modernização de centrífugas de urânio

O Irã afirmou nesta quarta-feira que iniciou a instalação de uma nova geração de máquinas para o enriquecimento de urânio, o que deve incomodar o Ocidente e complicar os esforços para a solução de uma década de disputa em torno de seu programa nuclear.

YEGANEH TORBATI, Reuters

13 de fevereiro de 2013 | 17h17

O anúncio foi feito no mesmo dia em que a agência nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU) começou negociações em Teerã para tentar retomar a investigação sobre uma suposta dimensão nuclear do programa.

O Irã já havia dito à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que planejava instalar as centrífugas do tipo IR2-m na sua usina de enriquecimento de Natanz, na região central do país, um passo que poderia acelerar significativamente o acúmulo de um material que o Ocidente teme que possa ser usado no desenvolvimento de armas atômicas.

"A partir do mês passado, a instalação de uma nova geração dessas máquinas começou", disse o chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Fereydoun Abbasi-Davani, à agência de notícias Isna.

"Produzimos as máquinas conforme planejado e estamos realizando a instalação gradualmente ... para concluir os testes."

Um diplomata credenciado junto à AIEA, em Viena, se disse surpreso pelo anúncio. "Meu entendimento era de que eles não haviam iniciado a instalação", afirmou, sob anonimato.

O urânio enriquecido pode servir como combustível para usinas nucleares civis, o que o Irã diz ser o caso, mas também serve de matéria-prima para armas atômicas quando refinado até um grau de pureza maior.

As novas centrífugas iranianas são capazes de purificar o urânio a uma velocidade várias vezes superior à da atual geração de máquinas.

Não se sabe quantas centrífugas do novo modelo o Irã pretende instalar em Natanz, onde a usina comporta dezenas de milhares de máquinas. Uma nota da AIEA aos seus membros sugere que poderão ser até cerca de 3.000.

Abbasi-Davani disse que as novas máquinas são específicas para enriquecer urânio a um máximo de 5 por cento de pureza.

O Irã já enriquece o material a até 20 por cento de concentração de material físsil, mas especialistas dizem que a partir disso é fácil chegar à pureza superior a 90 por cento, necessária para o uso em armas.

Potências ocidentais já impuseram sanções ao Irã por sua recusa em abandonar o processo de enriquecimento de urânio, e os governos de Estados Unidos e Israel dizem não descartar uma ação militar para obrigar Teerã a isso.

(Reportagem adicional de Zahra Hosseinian, em Zurique; e de Fredrik Dahl, em Viena)

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