Irã diz ter reserva própria de urânio, sem escassez

As minas iranianas são capazes de fornecer urânio bruto para o programa nuclear do país, e não há escassez de material, disse na quinta-feira o embaixador da República Islâmica junto à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU). Alguns analistas ocidentais dizem que o Irã pode estar próximo de esgotar seu estoque de urânio bruto ("yellow cake"), e que a escassez gera dúvidas sobre a natureza das atividades nucleares do país, uma vez que isso seria um claro obstáculo para um programa atômico civil, mas não para um programa com fins militares. O diplomata iraniano Ali Ashgar Soltanieh disse não haver problemas de abastecimento. "Mesmo que as reservas de 'yellow cake' acabem, é claro que poderemos usar o 'yellow cake' produzido no Irã, usando nossas próprias minas de urânio", disse ele, logo depois da divulgação do mais recente relatório da AIEA sobre o Irã. "Nossas minas de urânio estão funcionando e poderemos produzir nosso próprio 'yellow cake' também", disse ele, sem no entanto confirmar se o Irã já teria usado seu estoque primário de urânio em estado bruto. O Instituto para a Ciência e a Segurança Internacionais, de Washington, disse em um estudo na semana passada que o Irã não parece ter obtido quantidades significativas de "yellow cake" desde que adquiriu 600 toneladas da África do Sul, na década de 1970. Um diplomata próximo à AIEA disse à Reuters na semana passada que no seu entendimento o material sul-africano já havia "chegado ao fim". O urânio enriquecido empregado em reatores e armas nucleares é produzido em centrifugas que giram o gás hexafluorido de urânio (UF6) a altas velocidades. O UF6 surge numa reação do "yellow cake", que é um concentrado do minério de urânio. O relatório do ICSI diz que a inatividade de uma das duas minas iranianas de urânio lança dúvidas sobre as afirmações de Teerã de que o país poderia ter autossuficiência total na produção do combustível nuclear. O Ocidente suspeita que o Irã desenvolva armas nucleares, enquanto Teerã garante que seu objetivo é apenas gerar eletricidades para fins civis. (Reportagem adicional de Mark Heinrich)

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