Irã e EUA voltam a discutir segurança no Iraque

No dia em que países discutem crise iraquiana, atentado com caminhão bomba mata 19 crianças

Agências internacionais,

06 de agosto de 2007 | 09h59

Os Estados Unidos e o Irã inauguraram nesta segunda-feira, 6, uma subcomissão conjunta criada para promover a cooperação dos dois inimigos pelo fim da violência sectária no Iraque.   Veja Também 190 mil armas estão 'perdidas' no Iraque   A criação dessa subcomissão foi o principal resultado até agora dos primeiros contatos diretos entre Estados Unidos e Irã, inimigos sem relações diplomáticas há quase 30 anos, mas ambos interessados em evitar uma guerra civil no Iraque.   Washington acusa Teerã de dar ajuda material a milícias xiitas que combatem a presença militar dos EUA no Iraque. O Irã nega tal acusação e atribui a violência no país vizinho à invasão americana de 2003.   Os dois países não informaram a pauta da subcomissão nem os objetivos que esperam alcançar. A questão do programa nuclear iraniano, motivo de enorme atrito entre ambos os governos, não será tratada.   A explosão de um enorme caminhão-bomba num bairro residencial de Tal Afar (norte do Iraque) demonstra a urgência em encontrar formas de acalmar a situação. Um militante suicida lançou o veículo repleto de explosivos contra uma área densamente povoada, matando pelo menos 28 pessoas, inclusive 19 crianças, informaram autoridades locais.   Na zona leste de Bagdá, uma bomba explodiu no começo da manhã em uma lixeira, atingindo garis. Seis pessoas morreram e nove ficaram feridas. Outra bomba, num microônibus, matou duas pessoas.   Durante a noite, policiais da turbulenta cidade de Baquba acharam 60 corpos em decomposição num matagal. Em Bagdá, as autoridades anunciaram ter encontrado 18 cadáveres.   Os EUA dizem que a violência sectária só será contida depois que o governo conseguir aprovar uma lei que atraia a minoria sunita para o processo político. No domingo, o secretário americano de Defesa, Robert Gates, criticou o Parlamento iraquiano por entrar em recesso sem votar os projetos.   "Eu disse: Cada dia que ganhamos para vocês, estamos ganhando com sangue americano, e a idéia de que vocês entrem em férias é inaceitável", disse Gates à rede NBC.   Impasse político   Nesta semana, líderes políticos iraquianos devem discutir a retomada de um gabinete de unidade no país, sob ameaça desde que um importante bloco sunita o abandonou, na semana passada.   O primeiro-ministro Nuri al-Maliki, xiita, disse no domingo que não aceitará a renúncia dos seis ministros sunitas que pediram demissão na semana passada. A Frente do Acordo, nome do bloco sunita, disse que eles só ficarão se Maliki aceitar suas exigências, que incluem uma maior influência sobre questões de segurança.   Adnan Al Dulaimi acusou Maliki de comandar "um governo sectário malsucedido que pretendia frustrar o processo político".   O encontro ocorre pouco mais de duas semanas depois de um raro encontro entre os embaixadores dos dois governos que mais têm influência sobre o país árabe.   Washington tem acusado Teerã de armar e treinar milicianos xiitas, o que estaria alimentando parte da violência no Iraque, mas aceitou criar uma subcomissão conjunta de segurança para buscar meios de restaurar a estabilidade em solo iraquiano.   Recentes desdobramentos aprofundaram a tensão entre Washington e Teerã, países cujas relações diplomáticas praticamente inexistem. Os contatos entre os EUA e o Irã normalmente são mediados por terceiros.   Há alguns meses, forças americanas no Iraque detiveram cinco iranianos acusados de fomentar rebeldes xiitas. O governo iraniano alega que as pessoas detidas eram diplomatas cuja entrada no país fora autorizada pelo Iraque.   Mais recentemente, quatro iranianos com cidadania americana foram presos pelo Irã. Os EUA alegam que eles são inocentes. O programa nuclear iraniano e manobras militares dos EUA no Golfo Pérsico são outros temas que alimentam a tensão entre os dois países.   Lou Fintor, porta-voz da Embaixada dos EUA em Bagdá, disse que a reunião de hoje foi "sincera e séria". Especialistas representando os dois governos concentraram as conversas na violência que aflige o Iraque.   "Nós concordamos em continuar as discussões em uma data ainda a ser estabelecida por meio de canais diplomáticos. Nós apreciamos o papel desempenhado pelo governo do Iraque por presidir os contatos", comentou Fintor.   O diplomata Hossein Amir Abdollahian, acreditado na Embaixada do Irã em Bagdá, chefiou a delegação de Teerã, informou a Agência de Notícias da República Islâmica. A delegação americana foi chefiada por Marcie B. Ries, conselheira de assuntos políticos e militares da Embaixada dos EUA em Bagdá, disse Fintor.

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