Irã e Grã-Bretanha buscam aprimorar laços e dizem que acordo nuclear é vital

O gabinete do primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse nesta quarta-feira que ele e o presidente iraniano, Hassan Rouhani, concordaram que os dois países deveriam trabalhar para melhorar os laços entre eles, e que é crucial que Teerã e outras potências mundiais cheguem a um acordo nuclear de longo prazo. 

LOUIS CHARBONNEAU E PARISA HAFEZI, REUTERS

24 de setembro de 2014 | 20h33

O primeiro-ministro e o presidente, que se encontraram na reunião das Nações Unidas em Nova York no primeiro encontro desde a Revolução Iraniana de 1979, também discutiram a ameaça dos militantes do Estado Islâmico, que tomaram porções dos territórios da Síria e do Iraque. 

"O primeiro-ministro e o presidente reconheceram que houve uma série de diferenças significativas entre os dois países no passado, e concordaram que devemos buscar melhorar progressivamente nossas relações bilaterais", disse uma nota do gabinete de Cameron. 

A Grã-Bretanha restringiu suas relações diplomáticas diretas com o Irã depois que ativistas radicais invadiram sua embaixada em Teerã em 2011. A eleição de Rouhani, um líder pragmático de fala suave, em 2013, substituindo Mahmoud Ahmadinejad, reconhecido por ser altamente anti-ocidente, abriu caminho para uma melhora nas relações entre os países. 

Londres anunciou em junho que iria reabrir sua embaixada no Irã nos próximos meses.

O comunicado dizia que Cameron e Rouhani concordaram que as negociações nucleares entre o Irã, Grã-Bretanha, China, França, Alemanha, Rússia e os Estados Unidos estavam em um "momento crítico e que era vital aproveitar a oportunidade de assegurar um acordo (atômico) abrangente". 

A agência oficial de notícias do Irã, IRNA, citou uma fala de Rouhani a Cameron dizendo: "Espero que possamos atingir um acordo abrangente com a vontade de todos os envolvidos, pois não há nenhuma outra maneira de resolver essa questão a não ser atingindo um entendimento comum". 

As negociações devem continuar até sexta-feira. Diplomatas envolvidos nas conversas dizem que uma resolução é improvável, mesmo faltando apenas dois meses para o prazo de 24 de novembro. 

A nota da Grã-Bretanha dizia que "o primeiro ministro e o presidente do Irã reconheceram a ameaça imposta a toda a região pelo Estado Islâmico, e concordaram que todos os Estados da região devem fazer mais para cortar o apoio a grupos terroristas, incluindo ajuda financeira". 

O comunicado acrescentou que Cameron recebeu bem o apoio iraniano ao novo governo do Iraque e os esforços para incentivar a criação de um governo iraquiano inclusivo que represente todos diferentes grupos do país. 

"Ele (Cameron) argumentou que uma abordagem similar era necessária na Síria, para promover uma transição para um novo governo capaz de representar todos os sírios", disse comunicado da secretaria de Imprensa de Cameron. 

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