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Irã e potências parecem estar distantes em negociações nucleares

O Irã parece esquivar-se de responder a propostas feitas pelas potências mundiais para aliviar as tensões sobre seu programa nuclear em negociações no Cazaquistão nesta sexta-feira, disseram diplomatas, surgindo em vez disso com seu próprio plano - um indicador do abismo entre os dois lados.

YEGANEH TORBATI E JUSTYNA PAWLAK, Reuters

05 de abril de 2013 | 17h05

As seis potências - Estados Unidos, Rússia, China, França, Grã-Bretanha e Alemanha - buscaram uma resposta concreta do Irã para sua oferta de fevereiro de um modesto alívio nas sanções se Teerã parasse seu programa nuclear mais controverso.

Mas, em vez disso, os negociadores iranianos descreveram seu próprio plano "específico" para resolver a disputa, que vem sendo atormentada há uma década pela desconfiança mútua e negociações intermitentes.

"Estamos de certa forma confusos pela caracterização dos iranianos do que eles apresentaram", disse um diplomata ocidental antes do final das negociações para o dia.

"Ainda não foi dada uma resposta clara e concreta à ... proposta (das seis potências)".

O vice-negociador do Irã, Ali Bagheri, não disse se a oferta dos seis Estados era aceitável, mas disse que o lado iraniano tinha dado "uma resposta detalhada a todas as perguntas".

A disputa se concentra nos esforços iranianos de enriquecer urânio, o que as potências mundiais suspeitam que faça parte de um movimento secreto para alcançar a capacidade de fabricar armas nucleares.

O Conselho de Segurança da ONU exigiu que o Irã parasse o processo em várias resoluções desde 2006.

O Irã argumenta que tem direito a enriquecer urânio para fins pacíficos sob a lei internacional e nega que seu trabalho nuclear tenha objetivos militares. O país se recusou a mudar de curso a menos que as grandes potências reconheçam antes seu direito a enriquecer urânio e suspendam as sanções.

Há muito em jogo porque Israel, que supostamente é a única potência nuclear no Oriente Médio, ameaçou bombardear as instalações nucleares da República Islâmica se a diplomacia falhar em controlar um inimigo que vê como empenhado em sua destruição.

As chances para um acordo rápido são vistas como distantes, dizem diplomatas ocidentais. E o Irã não deve tomar nenhuma decisão importante sobre política nuclear até sua eleição presidencial em junho.

Durante anos, o Irã vem resistindo a pressões e sanções cada vez mais duras para que abandone um programa nuclear que desfruta de amplo apoio entre sua liderança política rebelde.

O negociador-chefe do Irã, Saeed Jalili, disse em um discurso em uma universidade em Almaty, na véspera das últimas conversas, que o sucesso das negociações dependia "da aceitação dos direitos do Irã, principalmente o direito ao enriquecimento".

As seis nações, no entanto, dizem que este direito só se aplica quando o programa nuclear é realizado sob a supervisão suficiente dos inspetores da ONU, algo que o Irã se recusou a conceder.

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