Irã e seis potências avançam pouco em conversas nucleares

O Irã e seis potências mundiais avançaram pouco na superação de desentendimentos significativos na mais recente rodada de conversas nucleares, incluindo o enriquecimento de urânio, relataram diplomatas iranianos e ocidentais familiarizados com as negociações nesta sexta-feira.

LOUIS CHARBONNEAU E PARISA HAFEZI, REUTERS

26 de setembro de 2014 | 20h43

Anteriormente, as autoridades do Irã e de Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Rússia e China haviam dito que era improvável haver um progresso em Nova York a ponto de se obter um acordo nuclear que pusesse fim às sanções a Teerã, embora tivessem esperança de dar passos substanciais para dirimir as diferenças.

Isso, informaram os diplomatas, não aconteceu nas conversas desta semana nos bastidores da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

“Nos temas centrais, continuamos muito distantes”, declarou um diplomata ocidental aos repórteres sob condição de anonimato. “No tocante ao enriquecimento (de urânio), ainda não chegamos lá”.

O diplomata disse que as partes provavelmente se reunião novamente nas próximas semanas, mas não se definiu data nem local. Os negociadores determinaram o dia 24 de novembro como prazo final para a obtenção de um acordo.

O presidente iraniano, Hassan Rouhani, disse em uma entrevista coletiva nesta sexta-feira em Nova York que o “progresso que testemunhamos nos últimos dias foi extremamente lento”, e que “precisamos mirar o futuro e tomar decisões corajosas em vista do problema”.

Rouhani afirmou que qualquer acordo que não envolva a suspensão de todas as sanções a Teerã é “inaceitável”.

O Irã e as seis potências esperam que uma resolução do impasse nuclear, que já dura mais de uma década, reduza as tensões regionais e elimine o risco de outra guerra no Oriente Médio.

Na Assembleia Geral, Rouhani disse que um acordo que ponha fim às sanções irá abrir a porta para uma cooperação maior visando a paz e a estabilidade regionais e a luta contra militantes como os do Estado Islâmico – mas os EUA não aceitaram a correlação entre os dois temas.

Israel ameaçou repetidas vezes usar sua força militar contra instalações atômicas iranianas se a diplomacia não conseguir desfazer o que o país vê como a ameaça existencial representada por um Irã com armas nucleares.

O Irã rejeita as alegações das potências ocidentais e de seus aliados de que almeja construir bombas nucleares, mas se recusou a frear o enriquecimento de urânio, desencadeando múltiplas rodadas de punições dos EUA, da União Europeia e do Conselho de Segurança da ONU.

Além do enriquecimento, os diplomatas relataram que a velocidade da suspensão das sanções é outro tema difícil, a respeito do qual as delegações iraniana e ocidentais têm diferenças acentuadas.

O diplomata afirmou que Rouhani, que teve reuniões bilaterais com autoridades europeias do primeiro escalão em Nova York, não tinha nada a oferecer para fazer as conversas progredirem.

“Não havia nada de realmente novo da parte dele. Ele disse que não deveríamos desperdiçar uma oportunidade histórica por causa de um punhado de centrífugas. Aliás, é o que nós pensamos”.

(Reportagem adicional de Arshad Mohammed)

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