Irã e Síria enfrentam Ocidente em reunião sobre tratado nuclear

O Irã e a Síria entraram em confrontona segunda-feira com o Ocidente por causa das acusações de quehá atividades nucleares suspeitas nesses países, marcando oinício das discussões sobre como salvar o Tratado deNão-Proliferação Nuclear. Nas declarações iniciais no encontro de duas semanasenvolvendo cerca de 120 países, a União Européia e outrosdelegados ocidentais citaram o Irã como um caso sintomático dadifusão da tecnologia nuclear, que pode ser usada para odesenvolvimento de armas nucleares --o que Teerã nega. Falando em nome da UE, o embaixador esloveno Andrej Logarcriticou os iranianos por sua desobediência a ordens da ONUpara que suspenda seu programa de enriquecimento de urânio ecoopere nas investigações internacionais "essenciais para aavaliação de uma possível dimensão militar do programa do Irã." O Irã, que não estava inscrito para falar, ocupou a tribunapara criticar as "longas e exageradas acusações [da UE] quedistorcem a verdade". O representante do país, Mohammed TaghiHosseini, disse que o Irã continua "fiel" às obrigações doTratado de Não-Proliferação, mas que ninguém pode tolher o paísem seu "direito inalienável" de se beneficiar da energiaatômica pacífica. Os EUA também fizeram críticas ao Irã e citaram suspeitasapresentadas na semana passada pela Casa Branca de que a Síria,aliada do Irã, teria construído um reator nuclear com a ajudanorte-coreana, mas não chegou a inaugurá-lo porque o local foidestruído em setembro por um bombardeio israelense. Quem se interessa em reforçar o Tratado de Não-Proliferação"só pode ficar alarmado [com um reator sírio que] não era parapropósitos pacíficos e foi construído secretamente", afirmou odelegado norte-americano Christopher Ford. A Síria interveio para negar terminantemente que tenhaviolado o Tratado buscando desenvolver armas nucleares. "Lembramos a todos das falsificações que os EUA fizeramsobre as armas de destruição de massa no Iraque", disse oembaixador Faysal Hamoui, referindo-se às acusações nuncacomprovadas que serviram de pretexto para a invasãonorte-americana no Iraque, em 2003. "Os EUA estão tentando arruinar esta reunião de maneirapreventiva. Pedimos aos EUA que sejam sábios o suficiente paradeixarem de causar crises no Oriente Médio com políticasconfusas", disse o diplomata.

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