Luis M Alvarez/AP
Luis M Alvarez/AP

Irã e Síria fornecem armas sofisticadas ao Hezbollah, diz Gates

Para secretário de Defesa dos EUA, Síria tem mais foguetes que 'a maioria dos governos no mundo'

27 Abril 2010 | 20h11

Efe

 

WASHINGTON- O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, acusou nesta terça-feira, 27, o Irã e a Síria de forneceram ao grupo xiita libanês Hezbollah armas cada vez mais sofisticadas.

 

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Em uma coletiva de imprensa conjunta com seu colega israelense, Ehud Barak, com quem se reuniu no Pentágono, Gates afirmou que "Síria e Irã estão provendo o Hezbollah de foguetes e mísseis com uma capacidade cada vez maior".

 

"Chegamos em um ponto neste momento no qual o Hezbollah tem muito mais foguetes e mísseis que a maioria dos governos no mundo, e isso é obviamente desestabilizador para toda a região, e por isso o vigiamos mais cuidadosamente", declarou Gates.

 

Barak, por sua vez, reiterou que a Síria "respalda o Hezbollah de uma maneira danosa" e que fornece armas e sistemas ao grupo terrorista libanês "que podem mudar ou interromper o equilíbrio tão delicado que há no Líbano".

 

"Esses sistemas armamentistas que rompem o equilíbrio, inclusive os foguetes e os mísseis, são considerados uma ameaça para a estabilidade da região", disse o ministro israelense.

 

Barak garantiu que Israel não quer provocar "nenhum tipo de choque maior no Líbano" ou "cara a cara" com a Síria, mas insistiu que seu governo está seguindo "estes desenvolvimentos" e acredita que eles "não contribuem com a estabilidade" no Oriente Médio.

 

As declarações de Gates e Barak ocorrem depois que o Departamento de Estado americano citou em 20 de março o número dois da embaixada síria, Zouheir Jabbour, para se queixar do "comportamento provocativo" de Damasco com relação a suposta transferência de armas ao Hezbollah.

 

O presidente de Israel, Simon Peres, também já havia afirmado que a Síria transferiu sistemas balísticos de mísseis Scud para o grupo xiita.

 

Nesta terça, o primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, rechaçou as "acusações" de Israel segundo as quais a Síria haveria facilitado a entrega dos mísseis, afirmando que as alegações "carecem de provas".

 

Sanções

 

Na coletiva de imprensa, os dois colegas também falaram sobre a ameaça representada pelo programa nuclear iraniano e as sanções que a comunidade internacional prepara contra Teerã.

 

A resolução está sendo negociada em reuniões quase diárias na sede da ONU em Nova York.

 

Gates se disse satisfeito com o planejamento, as previsões e as estratégias do governo ante a possibilidade de que o Irã se converta em um país com uma arma nuclear.

 

"Estou muito satisfeito, satisfeito com o processo de planificação, tanto nesse edifício como a nível intergovernamental. Dedicamos muito tempo ao Irã e continuaremos dedicando", disse o secretário.

 

Barak, por sua vez, afirmou que os esforços do Irã para se tornar um Estado nuclear "são um grande desafio não somente para Israel, mas para qualquer conceito de ordem mundial".

 

"Se se permite que o Irã se converta em (um país com armamento) nuclear, será o fim de qualquer regime de não proliferação. Isso poderia mudar o panorama não somente do Oriente Médio", completou.

 

Barak também se reuniu nesta terça com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e, na segunda, se encontrou com o presidente Barack Obama.

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