Irã eleva cooperação com AIEA mas mantém programa nuclear

Relatório da agência da ONU ensclarece a origem de experimentos com o plutônio nas usinas do país

Efe,

30 de agosto de 2007 | 09h24

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmou nesta quinta-feira, 30, que o Irã continua seus trabalhos de enriquecimento de urânio, mas ocorreu um "significativo passo adiante" na cooperação do regime de Teerã com os inspetores internacionais do organismo.  O Irã continua violando as exigências do Conselho de Segurança da ONU, que pede o fim das atividades relacionadas ao enriquecimento, mas a cooperação melhorada esclareceu a origem de experimentos com o plutônio, indica um relatório elaborado pelo diretor-geral da AIEA, Mohamed ElBaradei. "Esse é um importante passo adiante. Pela primeira vez, definimos com os iranianos como resolver as questões pendentes" sobre o programa atômico de Teerã, disse uma fonte diplomática conhecedora do documento. "A chave é a aplicação do calendário", disse a fonte, em referência ao acordo entre a AIEA e o Irã alcançado em 21 de agosto, em Teerã, e que prevê responder em dois meses à questões abertas sobre seu programa atômico. O Conselho de Segurança exige do Irã a suspensão de suas atividades relacionadas ao enriquecimento de urânio, o que Teerã rejeita categoricamente, alegando que é um direito inalienável desenvolver energia atômica com fins pacíficos. Temor nuclear Os Estados Unidos e a União Européia temem que, sob a alegação de um programa civil, o Irã esteja desenvolvendo tecnologia nuclear para obter um arsenal atômico. No caso das questões sobre os experimentos com plutônio, a agência se mostra satisfeita com os dados apresentados sobre os experimentos e considera essa parte "resolvida". "A agência é capaz de verificar que não foi desviado material nuclear declarado no Irã", afirma o documento de cinco páginas elaborado por ElBaradei, ao qual a Efe teve acesso. Mesmo assim, indica que "o órgão continua sendo incapaz de verificar alguns aspectos relevantes para determinar a natureza do programa nuclear do Irã". "O plano de trabalho é um significativo passo adiante", escreve ElBaradei, mas ressalta que é fundamental que o Irã se atenha ao calendário estipulado para esclarecer as questões pendentes. O plano de trabalho com o Irã está incluído como anexo nas últimas páginas do relatório que ElBaradei deve apresentar em 10 de setembro ao Conselho de Governadores da AIEA. Sanções Os EUA criticaram o acordo porque Teerã condicionou o cumprimento do calendário à não imposição de sanções adicionais às já estipuladas pelo Conselho de Segurança da ONU em dezembro de 2006 e em março passado. "Ao contrário da decisão de Conselho de Segurança, o Irã não suspendeu as atividades relativas ao enriquecimento de urânio", afirmou o diretor-geral da AIEA no relatório. "Desde maio de 2007, o Irã continuou testando máquinas centrífugas (nucleares), cascatas de 10 e 20 aparelhos e cascatas de 164 máquinas na central piloto de enriquecimento nuclear" de Natanz, afirma. Este último relatório afirma que o Irã alimentou estas máquinas, imprescindíveis no processo de enriquecimento de urânio, com 14 quilos de hexafluoreto de urânio entre 17 de março e 22 de julho. No total, desde fevereiro passado, o Irã introduziu 690 quilos de hexafluoreto de urânio - precursor do urânio enriquecido - na usina de enriquecimento de Natanz, o que está "muito abaixo" de uma instalação de suas características, afirma o documento. Fontes consultadas pela Efe indicam que, nos últimos meses, houve um evidente arrefecimento dos trabalhos nucleares do Irã, apesar de que estes continuam. Água pesada O Irã também continua a construção de sua unidade para a produção de água pesada, o que também infringe as exigências do Conselho de Segurança da ONU. A água pesada, sobre cuja produção os iranianos tinham começado suas pesquisas há doze anos, é utilizada para refrigeração nos processos para a fissão de urânio. O acordo prevê um esclarecimento gradual de assuntos pendentes, como a origem de duas centrífugas atômicas de produção paquistanesa. Além disso, deverá ser esclarecida a origem da contaminação com urânio altamente enriquecido (UAE) em uma unidade perto de Teerã e o propósito de um documento que contém instruções com fins militares.

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