Irã elogia relatório dos EUA; Londres pede mais pressão

O Irã comemorou nesta terça-feira umrelatório de inteligência dos Estados Unidos que contradizdeclarações do governo Bush de que a República Islâmica estariadesenvolvendo armas nucleares. Já Israel reagiu com ceticismo,e a Grã-Bretanha defendeu que seja mantida a pressão sobreTeerã. A nova Estimativa Nacional de Inteligência norte-americanasurpreendeu aliados e inimigos dos EUA ao dizer que o Irãsuspendeu em 2003 seu programa de armas nucleares. Duranteanos, Washington acusou Teerã, com retórica cada vez mais dura,de tentar desenvolver bombas atômicas. Analistas dizem que o relatório pode dificultar a adoção deum terceiro pacote de sanções da ONU contra o Irã, como queremos EUA. O governo iraniano se apressou em elogiar o relatório,divulgado na segunda-feira, tratando-o como prova definitivadaquilo que a República Islâmica diz há anos -- que seuprograma nuclear é pacífico, voltado apenas para a geração deeletricidade com fins civis. "É natural que saudemos quando esses países que no passadotinham dúvidas e ambiguidades sobre este caso agora emendamrealisticamente suas opiniões", disse o chanceler ManouchehrMottaki a uma rádio local. "A condição das atividades nuclearespacíficas do Irã está ficando clara para o mundo." Mas a Grã-Bretanha, que costuma seguir a posição dos EUAnessa questão, disse que vai continuar pressionando por maisescrutínio internacional. "Achamos que as conclusões do relatório justificam as açõesjá tomadas pela comunidade internacional tanto para mostrar aextensão e tentar restringir o programa nuclear do Irã quantopara aumentar a pressão sobre o regime para parar suasatividades de enriquecimento e reprocessamento (de urânio)",disse um porta-voz do primeiro-ministro Gordon Brown. O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, disse que acampanha internacional contra o programa nuclear iraniano deveser mantida. "É vital manter os esforços para evitar que o Irãdesenvolva uma capacidade como esta (de ter armas), e vamoscontinuar fazendo assim junto com nossos amigos dos EstadosUnidos", afirmou ele a jornalistas. O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, disse à Rádiodo Exército que, até onde Israel sabe, o Irã provavelmenteretomou seu programa de armas depois de 2003. As potências mundiais se reuniram no sábado passado emParis para discutir uma nova rodada de sanções contra o Irãdevido à sua recusa em suspender o enriquecimento de urânio,processo que pode gerar combustível para usinas nucleares ou,com grau maior de purificação, material para bombas nucleares. A ONU já impôs dois pacotes de sanções contra o programanuclear iraniano. Em Viena, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA,um órgão da ONU) disse que no novo relatório dos EUA corroboraas conclusões dos inspetores da agência nos últimos anos arespeito do Irã. (Reportagem adicional da redação em Viena, Jerusalém,Berlim, Pequim e Londres)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.