Irã enfrenta medo e especulações sobre ataque militar

A ameaça militar contra o Irã causou uma reviravolta na vida tranquila e confortável à qual muitos iranianos estavam acostumados, dando origem a uma nova era de dificuldades e medo.

PARISA HAFEZI E HASHEM KALANTARI, REUTERS

08 de dezembro de 2011 | 22h11

Como muitos iranianos, Maryam Sofi considera que Teerã e o Ocidente estão disputando um jogo perigoso. "Não acho que possamos saber por enquanto se uma guerra irá estourar, mas estou preocupada por minha família e meu país", disse a professora universitária de 42 anos, mãe de dois filhos. "Não consigo dormir à noite, pensando na destruição e derramamento de sangue se Israel e a América atacarem o Irã."

Os EUA e Israel acusam o Irã de desenvolver secretamente armas atômicas, e não descartam uma ação militar caso a diplomacia não convença Teerã a abandonar seu programa nuclear. A República Islâmica insiste no caráter pacífico das suas atividades.

Na quinta-feira, o presidente Barack Obama reiterou a posição norte-americana de que "nenhuma opção está fora da mesa".

No movimentado bazar central de Teerã, em meio às marteladas dos artesãos que fazem peças em cobre, o vendedor de nozes Ali atraía clientes com o seguinte grito: "Comprem e guardem! A guerra está chegando!."

A tensão com o Ocidente se intensificou na semana passada, quando estudantes radicais, protestando contra a imposição de novas sanções internacionais ao país, invadiram dois edifícios diplomáticos britânicos em Teerã.

A Grã-Bretanha reagiu fechando a sua embaixada, enquanto França, Alemanha, Itália e Holanda retiraram seus embaixadores.

O êxodo diplomático, ao qual se somam também alguns executivos empresariais estrangeiros radicados em Teerã, levou o nervosismo na capital a um nível que não era sentido desde o início da guerra contra o Iraque, em 1980, ou nas turbulências que antecederam à Revolução Islâmica de 1979.

"Os estrangeiros estão indo embora do Irã (...). Não é óbvio que eles querem atacar o Irã?", disse uma professora chamada Mina.

Jane Heshmatzadeh, de 59 anos, uma das muitas ocidentais casadas com iranianos na cidade, se divide entre o medo de um ataque e a lealdade ao país adotivo. "Meu lar é aqui. Não é fácil simplesmente ir embora e deixar tudo para trás", disse a sueca, que vive no norte do país desde que se casou com um empresário local, há 21 anos.

E os iranianos alimentam seus próprios medos com especulações sobre o que aconteceria em caso de guerra. "Seremos aprisionados dentro do país (...), as fronteiras serão fechadas", disse Zahra Farzaneh, de 82 anos, cujo filho mora nos EUA. "Vou morrer sem voltar a ver meus netos."

(Reportagem adicional de Jeffrey Heller em Jerusalém)

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