Associated Press
Associated Press

Irã enriquecerá urânio mesmo com acordo, diz ministro

Processo é um direito do país, diz titular de Assuntos Exteriores; negociações em Viena foram retomadas

Efe,

20 de outubro de 2009 | 12h06

O ministro de Assuntos Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, disse nesta terça-feira, 20, que seu país continuará enriquecendo urânio, mesmo que chegue a um acordo com EUA, França e Rússia para comprá-lo no exterior.

 

Veja também:

linkNegociação nuclear esbarra em recusa do Irã de aceitar França

especialEspecial: O programa nuclear do Irã

especialEspecial: As armas e ambições das potências

 

"São duas questões totalmente diferentes, porque o urânio a 20% é exclusivamente para o reator de Teerã. Para outras necessidades, prosseguiremos com nossa atividade (de enriquecimento), nos termos da Agência Internacional de Energia Atômica" (AIEA), disse o ministro.

 

Representantes de Irã, França, EUA e Rússia retomarão nesta terça, em Viena, as negociações iniciadas na segunda-feira para que a República Islâmica deixe de enriquecer urânio e passe a comprá-lo de outras nações.

 

Atraso

 

Previstas para começar às 10 horas locais (6 horas no horário de verão brasileiro), as conversas sofreram dois atrasos. Inicialmente, foram remarcadas para as 12 horas locais e, posteriormente, foram atrasadas para as 16h30 (12h30 no horário de verão brasileiro). Ao fim da reunião, porém, as negociações ficaram estagnadas devido à insistência de Teerã de que a França não era benvinda às conversas.

 

"As consultas continuam", disse o embaixador iraniano na AIEA, Ali Asghar Sultaniyeh, ao sair da sala das conversas. Nenhum pretexto oficial para os atrasos foi divulgado e a agência alegou motivos diplomáticos para a retomada do diálogo.

 

Independêcia

 

Segundo Teerã, o objetivo do acordo é garantir o funcionamento de um reator dedicado a pesquisas médicas. Mas, se o diálogo desta terça-feira fracassar, o regime dos aiatolás tentará adquirir o material de forma independente, já que considera este um direito seu.

 

Segundo Mottaki, "de acordo com o Tratado de Não-Proliferação e os pactos baseados neste tratado, que se ajustam aos termos da AIEA, o povo iraniano tem direito à energia nuclear, já que para nós esta é uma necessidade". "O Ocidente e os EUA reconheceram agora este direito, que antes negavam. Neste sentido, podemos considerar que houve um progresso", acrescentou.

 

Em 1º de outubro, em uma reunião em Genebra, o regime iraniano retomou o diálogo nuclear com os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - EUA, Rússia, França, China e Reino Unido - com a Alemanha, que suspeitam dos fins militares do programa atômico do Irã.

 

Fontes europeias disseram que, no começo do mês, foi apresentada uma proposta para que Teerã envie seu urânio empobrecido ao exterior e, meses depois, o receba já enriquecido.

 

O regime iraniano, no entanto, estaria descartando essa alternativa. A ideia dos aiatolás é comprar urânio já enriquecido da França, da Rússia ou até dos EUA, país com o qual não mantêm relações diplomáticas há quase 30 anos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.