Irã espera novas negociações nucleares, diz chanceler

O Irã espera retomar o diálogo com as potências mundiais a respeito do seu programa nuclear, depois de uma inconclusiva rodada de negociações neste mês em Istambul, disse o chanceler do país em entrevista publicada na segunda-feira.

Reuters

30 de julho de 2012 | 10h57

O Ocidente teme que o Irã esteja tentando desenvolver armas nucleares, e por isso busca convencer Teerã a abandonar seu programa de enriquecimento de urânio. O Irã, no entanto, insiste no caráter pacífico das suas atividades.

"Não posso dizer com certeza, mas se tudo transcorrer normalmente deve haver novas negociações", disse o chanceler Ali Akbar Salehi ao jornal austríaco Der Standard.

"Um rompimento (nas negociações) não é do interesse de ninguém. As divergências só podem ser superadas por meio da conversa."

Salehi acrescentou, porém, que o direito iraniano de enriquecer urânio precisa ser reconhecido desde o início. "É uma questão de princípio", afirmou.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse neste mês que as proposta levadas por Teerã a suas negociações deste mês com seis potências mundiais eram inviáveis. A negociação envolve EUA, China, Rússia, Grã-Bretanha, França e Alemanha.

Israel é visto como a única potência nuclear atual no Oriente Médio, e ameaça atacar instalações atômicas do Irã para impedir que a República Islâmica desenvolva esse tipo de arsenal.

Além disso, a ONU já impôs várias rodadas de sanções ao Irã por sua recusa em abandonar o enriquecimento de urânio, e potências ocidentais adotaram punições adicionais.

Em reação a essas sanções, o Irã chegou a ameaçar fechar o estreito de Ormuz, único acesso ao golfo Pérsico e importante passagem para o comércio internacional de petróleo. Mas Salehi negou que isso vá acontecer imediatamente. "Somos racionais. Não queremos interromper essa linha vital e causar sofrimento", afirmou.

"Mas, se formos forçados, então o Irã terá de fazer de tudo para defender sua soberania e seus interesses nacionais."

Analistas militares duvidam da real intenção de Teerã de fechar o estreito, por causa da enorme retaliação que poderia ser imposta pelos EUA e seus aliados.

(Reportagem de Georgina Prodhan)

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