Irã está perto de obter armas nucleares, diz presidente da Rússia

Declaração é uma amostra do endurecimento da postura russa frente ao programa nuclear iraniano

estadão.com.br

12 de julho de 2010 | 10h15

MOSCOU - O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, disse nesta segunda-feira, 12, que o Irã está próximo de obter meios para fabricar armas nucleares, uma declaração firme e surpreendente a respeito do programa nuclear do iraniano, já que os russos são considerados aliados do país islâmico. As informações são da AFP.

 

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"O Irã se aproxima da posse um potencial que, em princípio, pode ser usado para a fabricação de uma arma nuclear", disse Medvedev, citado pela agência Interfax, durante reunião com os embaixadores da Rússia. A declaração é uma nova amostra do endurecimento da posição de Moscou ante o Irã e seu programa nuclear, apesar das boas relações entre os países.

 

Segundo a Interfax, Medvedev lamentou que a posse de tal potencial não seja uma violação legal do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP). "Isso é um dos problemas", disse, considerando ainda que "o governo iraniano não se comporta devidamente".

 

Em junho, a Rússia aprovou um quarto pacote de sanções financeiras e militares contra o Irã por conta de seu programa nuclear. A decisão foi tomada pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), órgão do qual a Rússia é membro permanente junto dos EUA, da França, da China e do Reino Unido.

 

As sanções "têm um sentido, são um sinal destinado a estimular o processo das negociações. Agora é preciso paciência e uma retomada rápida do diálogo com Teerã", disse Medvedev. "Se a diplomacia deixar passar essa oportunidade, será um fracasso coletivo. Pedimos sistematicamente aos iranianos que deem mostras de abertura e de cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)", concluiu o líder russo.

 

O Irã diz que seu programa nuclear tem fins puramente pacíficos e na semana passada sinalizou que poderia retomar, com certas condições, o diálogo com o 5+1 (membros permanentes do Conselho de Segurança e a Alemanha), grupo que negociou a nova rodada de sanções.

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