Irã está sob ameaça militar sionista, diz Ahmadinejad

O Irã está sob a ameaça de ação militar por parte de "sionistas incivilizados", disse nesta quarta-feira o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, em uma referência clara a Israel. Segundo ele, ameaças desse tipo feitas pelas grandes potências têm como objetivo forçar a submissão dos países.

Reuters

26 de setembro de 2012 | 14h46

"A ameaça contínua dos sionistas incivilizados de recorrer à ação militar contra a nossa grande nação é um exemplo claro dessa realidade cruel", disse Ahmadinejad em um discurso de 33 minutos à Assembleia-Geral da ONU.

Israel e Estados Unidos recusam-se a descartar a possibilidade de um ataque contra as instalações nucleares do Irã, que o Ocidente suspeita que tenham como objetivo produzir bombas nucleares. O governo iraniano afirma que elas têm finalidades pacíficas.

Essa foi a oitava participação do presidente iraniano na assembleia das 193 nações e deverá ser a sua última, uma vez que seu segundo e último mandato termina no ano que vem. O discurso coincidiu com o feriado judaico do Yom Kippur, um dos dias mais sagrados do calendário judaico.

O discurso de Ahmadinejad mencionou questões suscitadas em suas participações anteriores na ONU, sugerindo que deveria haver uma "equipe independente de investigação" para descobrir a "verdade" por trás dos ataques de 11 de setembro de 2001 nos EUA. Ele também reclamou das "políticas e ações hegemônicas do sionismo mundial".

Ahmadinejad afirmou durante a semana que Israel mais cedo ou mais tarde será "eliminado". Essa declaração, não repetida na quarta-feira, enfureceu Israel e os EUA.

A missão norte-americana na ONU informou que a sua delegação não assistiu ao discurso do presidente iraniano. Ahmadinejad falou um dia depois de o presidente dos EUA, Barack Obama, dizer à Assembleia-Geral que o governo norte-americano fará o que for necessário para evitar que Teerã obtenha armas nucleares.

Ahmadinejad também criticou a "atual ordem mundial opressiva", na qual a "pobreza é imposta às nações e as ambições e as metas das potências são buscadas seja por meio de artifícios ou pelo recurso à força".

"A situação abissal atual do mundo e os incidentes amargos da história se devem principalmente ao gerenciamento errôneo do mundo e dos autoproclamados centros de poder que se entregaram ao diabo", afirmou.

No que pareceu ser um chamado para uma nova ordem mundial com base na justiça e não pela dominação das grandes potências, ele afirmou que o mundo estava fundado sobre o materialismo e carecia de valores morais.

"Não há dúvida de que o mundo precisa de uma nova ordem de uma forma nova de pensar", afirmou Ahmadinejad, acrescentando que ela deveria ser uma "ordem justa e clara na qual todos são iguais ante a lei e na qual não há padrões duplos".

Ele disse que a autoridade deveria ser usada como uma dádiva sagrada, "não como uma chance de acumular poder e riqueza".

(Reportagem de Arshad Mohammed e de Louis Charbonneau)

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